Alguém me disse que os senhorios não podem, por motivos fiscais, arrendar uma casa por um preço inferior ao que fizeram no passado. Isto pareceu-me tão aberrante, tão anormal, tão absurdo, que estou a ter dificuldade em acreditar. É verdade que se um senhorio arrendou uma casa por 500 euros não a pode arrendar por 250 se o poder de compra descer?
Assim, não admira que haja casas devolutas. O mais aberrante é que a Câmara de Lisboa, por exemplo, vá cobrar mais por casas devolutas. Ora, se as pessoas não podem pagar as rendas tão altas como há anos atrás, se os senhorios não as podem arrendar por menos, que sentido faz cobrar mais imposto?!...
Agradecia muito, muitíssimo, que os leitores mais entendidos em leis clarificassem esta questão.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Biografia
Hoje percebi que só vou escrever a história da minha vida se tiver um fim minimamente feliz.
Ou se, pelo contrário, acabar em tragédia.
Não há meio termo.
Ou se, pelo contrário, acabar em tragédia.
Não há meio termo.
Comentário ao país, por UNG
Em resposta aos meus posts anteriores, o UNG pediu-me para publicar isto. Cá vai.
Tens razão.
Só posso acrescentar coisas.
Porque é que este pais não muda?
1- Porque não se dá valor ao mérito.
Enquanto os melhores tiverem que ir para o estrangeiro para
explorar todo o seu potencial.
Enquanto um vulgar trabalhador português apenas puder ter sucesso
se for trabalhar para o estrangeiro.
Enquanto se for obrigado a manter no trabalho os inúteis e os
incompetentes, por sai demasiado caro despedi-los ou é
proibido pela constituição.
Enquanto a única forma de arranjar trabalhadores portugueses com um
mínimo de qualidade seja através de conhecidos. "É preferível um
diabo conhecido do que um desconhecido". Porque não existe o
hábito nem a experiência em conduzir concursos para a admissão dos
melhores profissionais.
Este pais andará a passo de caracol na melhor das hipóteses.
2- Porque é mais importantes as aparências do que o conteúdo ou a
qualidade.
Isto dito pelos estrangeiros que nos visitam. Eles já repararam
que o típico português gosta de contrair dívidas para:
- Comprar carros de topo de gama, bem acima das necessidades da
família.
- Comprar roupas de marca.
- Ir de férias para o estrangeiro nos locais da moda.
- Comprar ecrãs de plasma de mais 1000 euros, mas com qualidade
duvidosa.
Em vez de:
- Manter o carro actual com mais de 2 anos.
- Comprar carros económicos e de qualidade, adequados às
necessidades da família.
- Investir na cultura e enriquecimento pessoal. Através da
compra de cultura de qualidade em vez da cultura de pastilha
elástica.
- Investir na formação profissional, como forma de subir na
carreira ou para trabalhar mais eficientemente, sobrando mais
tempo para a familia.
- Investir o pouco dinheiro que sobra do ordenado, como forma de
precaver contra problemas no futuro ou aumentar a garantia de uma
reforma justa.
3- Trabalhar de forma eficiente e adequada às necessidades do
cliente.
Também os estrangeiros já reparam que em Portugal nada se faz de
manhã e pouco à tarde. Pouca gente chega antes das 10 horas e estão
sempre a fazer pausas para o café. A única altura produtiva do dia
é durante o intervalo do almoço. Em que as pessoas se reúnem e por
vezes discutem assuntos de trabalho e tomam decisões.
4- Porque toda a gente acha a responsabilidade de mudar é do outro.
Por cá, por todos os motivos e mais alguns. Pouca gente toma a
iniciativa para fazer algo de novo ou diferente. Mas mesmo esses
são logo abatidos pelos que não querem que nada mude e pelos que
têm inveja de não terem pensado no mesmo.
Se alguém tem uma boa ideia e monta um negócio. O português em vez
de aplaudir e sentir-se motivado para ter ideias próprias, o que
faz é montar um negócio ferozmente concorrente impedindo os dois de
terem sucesso.
Isto é os meus .02 de euro para juntar ao teu artigo.
UNG
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Precariado de todo o mundo, eu disse: Uni-vos!
O Goldmundo deixou um comentário no post abaixo a que eu ia responder com outro comentário que pela sua dimensão e importância decidi transformar em outro post. Até porque me dá a deixa para falar de um tema que já aqui queria abordar há algum tempo, a globalização.
Cito o Goldmundo:
Gosto das tuas farpas e especialmente da frase «o "precariado" de hoje não tem tantas hipóteses de vencer, apesar de o inimigo ser menos brutal (fisicamente)». Mas tenho reservas quanto a esta: «Acho que já uma vez comentei que o velho "proletariado" do século XIX viveu coisas piores».
Sinto-me na obrigação de salientar que o mundo mudou dramaticamente desde esse período e nesta questão do trabalho aponto três factores com que os revoltados do Antigo Regime (e até mais tarde no século XX) da velha Europa e jovem América não tinham com que se preocupar: a implosão demográfica, a tecnologia e a globalização.
Primeiro, a implosão demográfica (envelhecimento da população associado à quebra da natalidade) e a decrescente necessidade de mão de obra devido à tecnologia.
Nesses tempos dos movimentos operários, ou, se quiseres, proletários, as pessoas viviam menos tempo mas enquanto viviam eram necessárias à classe poderosa porque,
1. Não existia a máquina que substituísse o trabalho braçal, como agora.
2. Havia dificuldade em aprisionar, transportar e manter escravos de modo seguro, o que se veio a provar com a proibição da escravatura. (Ou seja, provou-se menos caro ter assalariados do que escravos.) Agora os escravos, oriundos das nações que ainda fazem filhos, vêm para o trabalho forçado pelo seu próprio pé, provocando concorrência desleal às tribos locais de que falas e roubando-lhes poder de negociação.
Enquanto no século XIX um homem podia aspirar a viver 60 anos, e era velho aos 50, mas por outro lado tinha dezenas de filhos e filhas cheios de vigor que podiam realmente lutar, hoje tens mais velhos de 50 anos do que jovens com vigor. E como ninguém pode dar-se ao luxo de parar de trabalhar aos 50 anos, abrindo vagas para os filhos, o número de crianças é forçosamente limitado. Não são necessárias, pelo contrário, são um estorvo. Se dantes a dezena de filhos tomava conta dos velhos (que eram velhos menos tempo), hoje tens velhos a tomar conta dos filhos que também já são velhos porque para que os pais trabalhem os filhos não podem trabalhar.
Juntando todos estes factores demográficos e a imigração, tens casos de famílias em que apenas um tem emprego (sustento de todos) e não o pode perder. Dantes tinhas pais e filhos a trabalhar na mesma fábrica. Agora a família tem sorte se um tiver trabalho.
Ao contrário do século XIX, não vai ser dos trabalhadores a revolução, se a houver, simplesmente porque o trabalhador perdeu poder. Repara, de que adianta organizar uma greve se basta ao patrão contratar substitutos? De que adianta fazer um piquete anti-fura greves se basta ao patrão despedir os grevistas e não ficar prejudicado? Há gente a mais para trabalho a menos. Caberia ao Estado garantir que os grevistas não seriam despedidos, mas o Estado, este e muitos outros por todo o mundo, está do lado do patrão porque é o patrão que sustenta a classe política no poder e a oposição que aspira ao governo.
Para mais, sugiro a leitura do Hora Absurda que disto já disse tudo e de forma bem mais espirituosa do que eu.
Segundo, a globalização.
Por trás da minha forma de expressão aparentemente cínica e descrente na humanidade, eu sempre fui uma ingénua idealista. Talvez por isso me tenha tornado paranóica. Já dizia o outro, "por não seres paranóico não quer dizer que não andem atrás de ti". O efeito da globalização nestas e noutras precariedades é notável.
Sempre fui pró-globalização de boa fé, acreditando que unindo as nações, como na Europa, e estendendo essa união ao resto do mundo, os países em que as pessoas têm menos direitos evoluíssem cada vez mais na direcção dos países em que as pessoas os têm mais. Ou seja, sempre acreditei que abrindo as portas a uma China, por exemplo, os chineses aspirassem a viver como numa Dinamarca, e nunca que a globalização forçasse os dinamarqueses a descer de nível para se aproximarem da precariedade dos chineses. Nem tenho dúvida nenhuma de que os chineses prefeririam não trabalhar 18 horas por dia (ou mais?), mas governos repressores, no entanto, tudo têm feito para que os países mais pobres assim continuem a fornecer o mercado mundial de mão de obra barata e pouco exigente.
Agora, porque sou paranóica, começo a questionar a boa fé de grupos anti-globalização (todos compostos de putos ricos que podem deslocar-se a manifestações em tudo o que é lado do planeta) que dizem defender a multi-diversidade. Pergunto eu, não será antes que os espertalhões perceberam que a globalização lhes ia custar os empregos e por isso desataram a espalhar a noção absurda que andar descalço em África é uma questão cultural? Longe de mim impor aos africanos que se calcem ou aos chineses que trabalhem menos, mas na parte que me toca preferia os sapatos e mais dinheiro por menos horas. É uma questão cultural, certo? Está-se mesmo a ver.
A chico-esperteza dos grupos anti-globalização não vai muito longe. A globalização é impossível de travar num planeta em que uma pelintra como eu tem conversas na internet com a fina flor de Nova York. Talvez seja preciso atingir um novo patamar de equilíbrio, a nível mundial (agora que já não há para onde escapar), em que o precariado seja igual em todo o mundo para novamente poder fazer frente aos opressores. O precariado está desorganizado porque é global mas continua agarrado à sua tribo de origem pela qual mata e morre. Ainda está convencido que a solução é fugir para outros países onde ganha mais um tostão à hora. A pensar assim, o precariado não vai a lado nenhum. Mas, por outro lado, enquanto houver desequilíbrios tão acentuados entre países não haverá maneira de combater aqueles a quem a escravatura interessa. Nem com bombas atómicas. Lamento muito na parte que toca à Europa mas os poderes do mundo não vão permitir o nivelar por cima por isso vai ser preciso... nivelar por baixo. O que é exactamente o que está a acontecer.
Depois, quando todos perceberem que estão no mesmo barco, talvez algo aconteça. Talvez. Se ainda houver planeta.
Cito o Goldmundo:
«Acho que já uma vez comentei que o velho "proletariado" do século XIX viveu coisas piores. O "Estado" nem sequer fingia preocupar-se: limitava-se a fazer avançar a guarda a cavalo.
Independentemente do que pensemos do marxismo e das revoluções socialistas, houve quem se organizasse, resistisse, conseguisse o reconhecimento do direito à greve, fizesse baixar as horas de trabalho por dia.
De modo que não tenho a certeza de que o Alfredo Barroso não esteja a tentar passar uma ideia séria não quer dizer que o aprecie muito): o "precariado" de hoje não tem tantas hipóteses de vencer, apesar de o inimigo ser menos brutal (fisicamente).
Razões? Bem, "proletariado" quer dizer "aqueles que só têm a sua prole", os seus filhos. Famílias. Grupos. Religiões. Terra, para os camponeses (mesmo que lhes não pertença). Espírito de alcateia. Tribos. Estavam unidos, para o bem e para o mal (mesmo odiando-se, mesmo batendo nas mulheres, mesmo violentamente). E nisso eram iguais aos burgueses, iguais aos nobres.
Dantes, para que aparecessem as forquilhas e as tochas, bastava tanger os sinos da igreja, ou fazer um discurso na taberna, ou lançar um panfleto do partido.
Tempos difíceis, estes. Pela primeira vez na história do ocidente, os impérios estremecem e nem sequer se pode contar com os bárbaros.»
Gosto das tuas farpas e especialmente da frase «o "precariado" de hoje não tem tantas hipóteses de vencer, apesar de o inimigo ser menos brutal (fisicamente)». Mas tenho reservas quanto a esta: «Acho que já uma vez comentei que o velho "proletariado" do século XIX viveu coisas piores».
Sinto-me na obrigação de salientar que o mundo mudou dramaticamente desde esse período e nesta questão do trabalho aponto três factores com que os revoltados do Antigo Regime (e até mais tarde no século XX) da velha Europa e jovem América não tinham com que se preocupar: a implosão demográfica, a tecnologia e a globalização.
Primeiro, a implosão demográfica (envelhecimento da população associado à quebra da natalidade) e a decrescente necessidade de mão de obra devido à tecnologia.
Nesses tempos dos movimentos operários, ou, se quiseres, proletários, as pessoas viviam menos tempo mas enquanto viviam eram necessárias à classe poderosa porque,
1. Não existia a máquina que substituísse o trabalho braçal, como agora.
2. Havia dificuldade em aprisionar, transportar e manter escravos de modo seguro, o que se veio a provar com a proibição da escravatura. (Ou seja, provou-se menos caro ter assalariados do que escravos.) Agora os escravos, oriundos das nações que ainda fazem filhos, vêm para o trabalho forçado pelo seu próprio pé, provocando concorrência desleal às tribos locais de que falas e roubando-lhes poder de negociação.
Enquanto no século XIX um homem podia aspirar a viver 60 anos, e era velho aos 50, mas por outro lado tinha dezenas de filhos e filhas cheios de vigor que podiam realmente lutar, hoje tens mais velhos de 50 anos do que jovens com vigor. E como ninguém pode dar-se ao luxo de parar de trabalhar aos 50 anos, abrindo vagas para os filhos, o número de crianças é forçosamente limitado. Não são necessárias, pelo contrário, são um estorvo. Se dantes a dezena de filhos tomava conta dos velhos (que eram velhos menos tempo), hoje tens velhos a tomar conta dos filhos que também já são velhos porque para que os pais trabalhem os filhos não podem trabalhar.
Juntando todos estes factores demográficos e a imigração, tens casos de famílias em que apenas um tem emprego (sustento de todos) e não o pode perder. Dantes tinhas pais e filhos a trabalhar na mesma fábrica. Agora a família tem sorte se um tiver trabalho.
Ao contrário do século XIX, não vai ser dos trabalhadores a revolução, se a houver, simplesmente porque o trabalhador perdeu poder. Repara, de que adianta organizar uma greve se basta ao patrão contratar substitutos? De que adianta fazer um piquete anti-fura greves se basta ao patrão despedir os grevistas e não ficar prejudicado? Há gente a mais para trabalho a menos. Caberia ao Estado garantir que os grevistas não seriam despedidos, mas o Estado, este e muitos outros por todo o mundo, está do lado do patrão porque é o patrão que sustenta a classe política no poder e a oposição que aspira ao governo.
Para mais, sugiro a leitura do Hora Absurda que disto já disse tudo e de forma bem mais espirituosa do que eu.
Segundo, a globalização.
Por trás da minha forma de expressão aparentemente cínica e descrente na humanidade, eu sempre fui uma ingénua idealista. Talvez por isso me tenha tornado paranóica. Já dizia o outro, "por não seres paranóico não quer dizer que não andem atrás de ti". O efeito da globalização nestas e noutras precariedades é notável.
Sempre fui pró-globalização de boa fé, acreditando que unindo as nações, como na Europa, e estendendo essa união ao resto do mundo, os países em que as pessoas têm menos direitos evoluíssem cada vez mais na direcção dos países em que as pessoas os têm mais. Ou seja, sempre acreditei que abrindo as portas a uma China, por exemplo, os chineses aspirassem a viver como numa Dinamarca, e nunca que a globalização forçasse os dinamarqueses a descer de nível para se aproximarem da precariedade dos chineses. Nem tenho dúvida nenhuma de que os chineses prefeririam não trabalhar 18 horas por dia (ou mais?), mas governos repressores, no entanto, tudo têm feito para que os países mais pobres assim continuem a fornecer o mercado mundial de mão de obra barata e pouco exigente.
Agora, porque sou paranóica, começo a questionar a boa fé de grupos anti-globalização (todos compostos de putos ricos que podem deslocar-se a manifestações em tudo o que é lado do planeta) que dizem defender a multi-diversidade. Pergunto eu, não será antes que os espertalhões perceberam que a globalização lhes ia custar os empregos e por isso desataram a espalhar a noção absurda que andar descalço em África é uma questão cultural? Longe de mim impor aos africanos que se calcem ou aos chineses que trabalhem menos, mas na parte que me toca preferia os sapatos e mais dinheiro por menos horas. É uma questão cultural, certo? Está-se mesmo a ver.
A chico-esperteza dos grupos anti-globalização não vai muito longe. A globalização é impossível de travar num planeta em que uma pelintra como eu tem conversas na internet com a fina flor de Nova York. Talvez seja preciso atingir um novo patamar de equilíbrio, a nível mundial (agora que já não há para onde escapar), em que o precariado seja igual em todo o mundo para novamente poder fazer frente aos opressores. O precariado está desorganizado porque é global mas continua agarrado à sua tribo de origem pela qual mata e morre. Ainda está convencido que a solução é fugir para outros países onde ganha mais um tostão à hora. A pensar assim, o precariado não vai a lado nenhum. Mas, por outro lado, enquanto houver desequilíbrios tão acentuados entre países não haverá maneira de combater aqueles a quem a escravatura interessa. Nem com bombas atómicas. Lamento muito na parte que toca à Europa mas os poderes do mundo não vão permitir o nivelar por cima por isso vai ser preciso... nivelar por baixo. O que é exactamente o que está a acontecer.
Depois, quando todos perceberem que estão no mesmo barco, talvez algo aconteça. Talvez. Se ainda houver planeta.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Precariados de todo o mundo, uni-vos!
Há dias, através do Sorumbático, li uma coisa que me deixou perturbada. Diz Alfredo Barroso:
Acho estas afirmações injustas e mesmo ofensivas para com a classe social à qual involuntariamente pertenço, os escravos, ou, no engenhoso termo acima, o precariado, que é política e historicamente mais bonito. Mas a verdade é que estamos de mãos atadas. Antigamente o objectivo era ter uma vida. Hoje é sobreviver.
Diz Alfredo Barroso que não somos solidários, que somos incapazes de nos organizarmos, como se fazê-lo pudesse mudar a situação. Quando é a sobrevivência que está em jogo, o pão para a boca, o cão come cão, a luta contra o sistema é um luxo de poucos, e os que podem não devem de certeza pertencer assim tanto ao precariado, porque depressa passariam da classe de escravos à classe dos mendigos (ver história real aqui) e ainda menos se fariam ouvir.
Quando a lei é a do dinheiro, os ricos mandam nos pobres. Ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Cabe ao Estado impor a lei do Direito para repor a igualdade. Cabe ao Estado fiscalizar as empresas que não cumprem a lei e punir as irregularidades. Caberia ao Estado proibir que milhares de recém licenciados (e não só) trabalhem meses e anos a fio, nas empresas e no próprio Estado!!!, sem ganhar um tostão ou ganhando poucos tostões, obrigando os pais (muitos já reformados) a sustentar os filhos com o modesto ordenado ou a pensão. Cabe ao Estado impedir que a imigração descontrolada tire o emprego aos nacionais e os obrigue também a emigrar, passando, como os imigrantes são aqui, a ser escravos noutro sítio.
Já o disse, muitas vezes, que a Justiça é o grande cancro do país e da nação. Sem ela, o cidadão individual não pode lutar pelos meios legais. Não pode o trabalhador sozinho, nem adianta estar num sindicato que também nada pode fazer quando há dezenas que candidatos ao emprego, à porta, à espera de se venderem por menos tostões.
A análise do senhor Alfredo Barroso é típica das mentalidades que ainda pensam que vivem no PREC e os outros também. Curiosamente, foi a geração deste senhor, e as seguintes, que tornaram as coisas no que são agora. E aparentemente continuam a apontar o dedo a tudo e a todos sem pesarem a culpa própria. A Educação não presta, a Justiça não funciona, a Economia apagou-se como as luzes do Titanic quando já estava partido ao meio.
O que quer então Alfredo Barroso que a minha geração, a dos trinta, e as gerações mais novas façam perante a situação? Quem pode, foge para o estrangeiro. E os outros? Quererá que eu processe o Estado por fraude quando os professores do Estado me garantiram que estava a ter uma boa Educação e a trabalhar pelo meu futuro? Sem opções legais, quererá que façamos uma revolução como no tempo dele, para dar os resultados que hoje vemos? Repetir o erro?
Não é uma questão de resignação. Resignado, ninguém está. São as gerações mais velhas e de memória curta (deve ser da senilidade precoce) que votam sempre nos mesmos partidos e não dão oportunidade a quem se lhes oponha nos jeitos corruptos, vendidos e desonestos de sempre. No fundo, até gostam que ninguém lhes troque as voltas viciadas.
Durante muito tempo, tive esperança de que a Europa, uma autoridade externa e imparcial, impusesse ao Estado a Justiça que os corruptos e vendidos governos nacionais só aplicam para punir os pobres. Mas as coisas mudaram. O mundo levou um pontapé no cu a 11 de Setembro de 2001 e a Europa encolheu-se e largou mão dos direitos sociais. Todo o planeta vai entrar às cegas num conflito global sem precedentes em que os mais pobres da aldeia global ameaçam os senhores do castelo com forquilhas e tochas.
Como consequência, isto aqui é um cadáver anunciado. Não é por acaso que eu gosto da metáfora do Titanic. Como lá, houve avisos a tempo mas ninguém acreditou. Ninguém acreditou em mim e noutros visionários nos anos 90, quando ainda se podia fazer alguma coisa, pelo menos no que a Portugal diz respeito. Nada se fez e agora é tarde. Só se vê trevas e abismo. Já estamos na água e começa a arrefecer. Quem apanhar uma tábua que se agarre a ela. É o salve-se quem puder. Quem sobreviver que conte a história.
«No fundo, o propósito é o de reformatar a modernidade económica, banindo do vocabulário corrente as perigosíssimas noções de desenvolvimento humano, equidade e bem-estar social.
Estamos, assim, a assistir à emergência de uma nova classe social, a que alguns sociólogos já chamam «precariado». Uma espécie de neologismo que resulta da síntese dos termos proletariado (ao qual fora arrancada grande parte da classe média, no século XX) e precariedade (do emprego, do salário, da vida quotidiana e, portanto, do futuro). Viva, então, o precariado! Uma nova classe social tanto mais vulnerável quanto menos solidários e mais solitários forem os seus putativos membros - política e sindicalmente incapazes de se organizarem, envergonhados pela sua despromoção social, com receio de serem tratados como comunistas pela esquerda moderna e, por isso, já resignados.»
Acho estas afirmações injustas e mesmo ofensivas para com a classe social à qual involuntariamente pertenço, os escravos, ou, no engenhoso termo acima, o precariado, que é política e historicamente mais bonito. Mas a verdade é que estamos de mãos atadas. Antigamente o objectivo era ter uma vida. Hoje é sobreviver.
Diz Alfredo Barroso que não somos solidários, que somos incapazes de nos organizarmos, como se fazê-lo pudesse mudar a situação. Quando é a sobrevivência que está em jogo, o pão para a boca, o cão come cão, a luta contra o sistema é um luxo de poucos, e os que podem não devem de certeza pertencer assim tanto ao precariado, porque depressa passariam da classe de escravos à classe dos mendigos (ver história real aqui) e ainda menos se fariam ouvir.
Quando a lei é a do dinheiro, os ricos mandam nos pobres. Ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Cabe ao Estado impor a lei do Direito para repor a igualdade. Cabe ao Estado fiscalizar as empresas que não cumprem a lei e punir as irregularidades. Caberia ao Estado proibir que milhares de recém licenciados (e não só) trabalhem meses e anos a fio, nas empresas e no próprio Estado!!!, sem ganhar um tostão ou ganhando poucos tostões, obrigando os pais (muitos já reformados) a sustentar os filhos com o modesto ordenado ou a pensão. Cabe ao Estado impedir que a imigração descontrolada tire o emprego aos nacionais e os obrigue também a emigrar, passando, como os imigrantes são aqui, a ser escravos noutro sítio.
Já o disse, muitas vezes, que a Justiça é o grande cancro do país e da nação. Sem ela, o cidadão individual não pode lutar pelos meios legais. Não pode o trabalhador sozinho, nem adianta estar num sindicato que também nada pode fazer quando há dezenas que candidatos ao emprego, à porta, à espera de se venderem por menos tostões.
A análise do senhor Alfredo Barroso é típica das mentalidades que ainda pensam que vivem no PREC e os outros também. Curiosamente, foi a geração deste senhor, e as seguintes, que tornaram as coisas no que são agora. E aparentemente continuam a apontar o dedo a tudo e a todos sem pesarem a culpa própria. A Educação não presta, a Justiça não funciona, a Economia apagou-se como as luzes do Titanic quando já estava partido ao meio.
O que quer então Alfredo Barroso que a minha geração, a dos trinta, e as gerações mais novas façam perante a situação? Quem pode, foge para o estrangeiro. E os outros? Quererá que eu processe o Estado por fraude quando os professores do Estado me garantiram que estava a ter uma boa Educação e a trabalhar pelo meu futuro? Sem opções legais, quererá que façamos uma revolução como no tempo dele, para dar os resultados que hoje vemos? Repetir o erro?
Não é uma questão de resignação. Resignado, ninguém está. São as gerações mais velhas e de memória curta (deve ser da senilidade precoce) que votam sempre nos mesmos partidos e não dão oportunidade a quem se lhes oponha nos jeitos corruptos, vendidos e desonestos de sempre. No fundo, até gostam que ninguém lhes troque as voltas viciadas.
Durante muito tempo, tive esperança de que a Europa, uma autoridade externa e imparcial, impusesse ao Estado a Justiça que os corruptos e vendidos governos nacionais só aplicam para punir os pobres. Mas as coisas mudaram. O mundo levou um pontapé no cu a 11 de Setembro de 2001 e a Europa encolheu-se e largou mão dos direitos sociais. Todo o planeta vai entrar às cegas num conflito global sem precedentes em que os mais pobres da aldeia global ameaçam os senhores do castelo com forquilhas e tochas.
Como consequência, isto aqui é um cadáver anunciado. Não é por acaso que eu gosto da metáfora do Titanic. Como lá, houve avisos a tempo mas ninguém acreditou. Ninguém acreditou em mim e noutros visionários nos anos 90, quando ainda se podia fazer alguma coisa, pelo menos no que a Portugal diz respeito. Nada se fez e agora é tarde. Só se vê trevas e abismo. Já estamos na água e começa a arrefecer. Quem apanhar uma tábua que se agarre a ela. É o salve-se quem puder. Quem sobreviver que conte a história.
Benzodiazepinas e outras aberrações
Hoje tava eu a pastilhar com dois ou três Xanaxes, um Prozac e mais meia dúzia de lorazepans genéricos - que isto comigo é sempre a abrir, sempre a dar na merda! - quando descobri que sou uma drógada, fónix! Plaavre ed hnroa, nme sie coom é qee etosu a cnosegiur esrcevre cmo antta dorag an cbaeça!
(Se conseguiram perceber a frase acima, não se preocupem, não estão doidos. A mente tem o poder de reconhecer as palavras embora as letras estejam trocadas desde que lá estejam as letras todas. Aprendi num email.)
Anda a polícia de trânsito a fazer testes às benzodiazepinas, à heroína, à cocaína, ao haxixe e ao ecstasy, para detectar os condutores que conduzem sob o efeito de droga. Assim, tudo no mesmo saco. Eu dou na benza desde os 14 anos. Todos os dias dou na benza. Fiz o liceu e a faculdade a dar na benza. Vou trabalhar todos os dias a dar na benza. Fónix, até tirei a carta a dar na benza! Dia sem benza não é dia.
Eu sei que não sou grande exemplo de lucidez. Ainda agora, por causa da pedrada da benza, quase espetei o teclado contra o monitor. É como eu digo, nem sei como é que estou a escrever isto tudo sem cair da cadeira, tal é a pedra.
Agora, muito a sério, compreendo perfeitamente o sentido de detectar drogas que alteram a consciência a ponto de distorcerem a realidade. Mas toda a gente sabe, por experiência própria ou por observação, que os comprimidos para dormir, os ansiolíticos, os antidepresivos, não alteram a realidade nem causam delírios nem diferenças de comportamento como as outras drogas referidas e o álcool.
Para quem não sabe, que fique agora a saber, todos os medicamentos que referi (comprimidos para dormir, ansiolíticos, antidepresivos) causam efeitos secundários que podem perturbar o funcionamento normal e quotidiano nos primeiros dias da toma. Aliás, vem na literatura inclusa: "não conduzir nem manejar máquinas perigosas enquanto não conhecer os efeitos". Se um destes medicamentos causa distorção da realidade, delírio, agressividade, alterações comportamentais, euforia, etc, etc, como as outras drogas e o álcool, o que às vezes acontece!, o tratamento deve ser suspenso imediatamente e deve-se procurar outro mais adequado. Se o medicamento funcionar como se pretende (induzir o sono, acalmar, melhorar o humor), a pessoa habitua-se em poucos dias e pode fazer tudo o que as outras pessoas fazem. É por isso que as pessoas sob estes medicamentos podem trabalhar, andar na rua, tomar conta dos filhos, tomar decisões responsáveis e legalmente válidas e, também, conduzir.
É claro que não passa pela cabeça de ninguém responsável ir conduzir depois de tomar comprimidos para dormir. Os comprimidos para dormir dão sono. Se a pessoa for irresponsável ao ponto de o fazer, não é mais irresponsável que o condutor que, não tomando comprimidos nenhuns, não pára de conduzir embora esteja sonolento e corra o risco de adormecer ao volante. Os fármacos de que falo não induzem no condutor a sensação de "invencibilidade", prazer e euforia que as outras drogas e o álcool provocam. Toda a gente sabe isto. O condutor irresponsável que sabe que estes medicamentos de toma continuada lhe prejudicam o raciocínio é o mesmo condutor irresponsável que atende o telemóvel quando conduz. Não é a droga que o transforma, é a atitude que o que o faz agir.
Os comprimidos para dormir, os antidepressivos, os ansiolíticos, tal como o tabaco, são substâncias que não alteram a percepção da realidade nem causam delírios, e ainda estou para ver a pessoa que apesar destes efeitos secundários os continua a tomar, porque os efeitos secundários não são fonte de prazer.
Discriminação
A coisa mais aberrante, contudo, nesta lei da palhinha da droga, é o facto de não ser aleatória como é o teste do balão. É o polícia que escolhe, suspeita, desconfia do indivíduo e determina se deve aplicar o teste, pelo aspecto do fulano. Ou seja, se é um pai de família, barrigudo e de bigode, é óbvio que não é drogado porque gente assim dá no tintol ou na cerveja. Um gajo de fatinho e gravata é óbvio que não é drogado nem dá na branca, porque se veste bem e tal e conduz um carro desportivo. Um gajo vestido de preto, cheio de brincos, com uma t-shirt do Marilyn Manson ou pior, se não está bêbedo só pode ser drogado! Cospe aqui prá palhinha.
Mais uma vez, isto é contra toda a experiência e observação. Muitos toxicodependentes o foram durante anos sem que ninguém desconfiasse. Qual é o sentido deste teste?
A raiz do mal
Infelizmente, mesmo que se erradicasse todo o álcool e drogas das estradas, ainda assim não se deixava de morrer em acidentes estúpidos que podiam ser evitados.
Toda a gente sabe que a grande causa dos acidentes é o excesso de velocidade e o desrespeito pelas regras de trânsito, com ou sem álcool, com ou sem drogas.
Toda a gente sabe que nas escolas de condução se ensina que o amarelo é para parar. Toda a gente sabe que um condutor que se atreva a fazer isso está a pedir que se lhe espetem por trás. Toda a gente sabe que conduzir neste país é fugir. Fugir do gajo da frente que não diz para onde vai, fugir do gajo de trás que apita e aperta embora já se vá no limite de velocidade, fugir do gajo do lado que vai a ultrapassar às rasquinha em frente a um camião e que quando o vir vai guinar para cima de nós... As estradas portuguesas são de meter medo.
Aliás, nada melhor é exemplo do desatino deste país do que se vê nas estradas. O que se aprende na escola não se faz, então porque há escola e não se aprende com a experiência, à americana, se não para alimentar um nicho de interesses? Atenção, não estou a dizer que sou contra as escolas de condução, pelo contrário, sou contra é a sua falta de autoridade. E porque se continua a acelerar à maluca pelas estradas portuguesas, ultrapassando quando não se tem visibilidade porque se está com pressa, desrespeitando as mais elementares regras da carta? Porque se permite e tolera este comportamento? O que raio é isso da "tolerância zero"?! Tolerância zero devia ser todos os dias. Isso é que me assusta, não são as benzodiazepinas.
Está-me a passar o efeito da moca. Vou ali tomar mais uns Lorénins e um Morfex e já cá volto depois de reabastecer...
PS: A minha indignação com esta estupidez não é por ser directamente afectada. Já há anos não que não conduzo e não preciso de o fazer. A principal razão que me dissuade é a selvajaria das estradas portuguesas e as manobras suicidas e homicidas que vi em muita gente perfeitamente sóbria que conduz e continua a conduzir até ao dia em que diz que "foi azar" meter-se debaixo do camião, o que também já vi. A única máquina perigosa que manejo é mesmo este computador, onde repudio a ignorância, os falsos conceitos, a discriminação e a injustiça.
(Se conseguiram perceber a frase acima, não se preocupem, não estão doidos. A mente tem o poder de reconhecer as palavras embora as letras estejam trocadas desde que lá estejam as letras todas. Aprendi num email.)
Anda a polícia de trânsito a fazer testes às benzodiazepinas, à heroína, à cocaína, ao haxixe e ao ecstasy, para detectar os condutores que conduzem sob o efeito de droga. Assim, tudo no mesmo saco. Eu dou na benza desde os 14 anos. Todos os dias dou na benza. Fiz o liceu e a faculdade a dar na benza. Vou trabalhar todos os dias a dar na benza. Fónix, até tirei a carta a dar na benza! Dia sem benza não é dia.
Eu sei que não sou grande exemplo de lucidez. Ainda agora, por causa da pedrada da benza, quase espetei o teclado contra o monitor. É como eu digo, nem sei como é que estou a escrever isto tudo sem cair da cadeira, tal é a pedra.
Agora, muito a sério, compreendo perfeitamente o sentido de detectar drogas que alteram a consciência a ponto de distorcerem a realidade. Mas toda a gente sabe, por experiência própria ou por observação, que os comprimidos para dormir, os ansiolíticos, os antidepresivos, não alteram a realidade nem causam delírios nem diferenças de comportamento como as outras drogas referidas e o álcool.
Para quem não sabe, que fique agora a saber, todos os medicamentos que referi (comprimidos para dormir, ansiolíticos, antidepresivos) causam efeitos secundários que podem perturbar o funcionamento normal e quotidiano nos primeiros dias da toma. Aliás, vem na literatura inclusa: "não conduzir nem manejar máquinas perigosas enquanto não conhecer os efeitos". Se um destes medicamentos causa distorção da realidade, delírio, agressividade, alterações comportamentais, euforia, etc, etc, como as outras drogas e o álcool, o que às vezes acontece!, o tratamento deve ser suspenso imediatamente e deve-se procurar outro mais adequado. Se o medicamento funcionar como se pretende (induzir o sono, acalmar, melhorar o humor), a pessoa habitua-se em poucos dias e pode fazer tudo o que as outras pessoas fazem. É por isso que as pessoas sob estes medicamentos podem trabalhar, andar na rua, tomar conta dos filhos, tomar decisões responsáveis e legalmente válidas e, também, conduzir.
É claro que não passa pela cabeça de ninguém responsável ir conduzir depois de tomar comprimidos para dormir. Os comprimidos para dormir dão sono. Se a pessoa for irresponsável ao ponto de o fazer, não é mais irresponsável que o condutor que, não tomando comprimidos nenhuns, não pára de conduzir embora esteja sonolento e corra o risco de adormecer ao volante. Os fármacos de que falo não induzem no condutor a sensação de "invencibilidade", prazer e euforia que as outras drogas e o álcool provocam. Toda a gente sabe isto. O condutor irresponsável que sabe que estes medicamentos de toma continuada lhe prejudicam o raciocínio é o mesmo condutor irresponsável que atende o telemóvel quando conduz. Não é a droga que o transforma, é a atitude que o que o faz agir.
Os comprimidos para dormir, os antidepressivos, os ansiolíticos, tal como o tabaco, são substâncias que não alteram a percepção da realidade nem causam delírios, e ainda estou para ver a pessoa que apesar destes efeitos secundários os continua a tomar, porque os efeitos secundários não são fonte de prazer.
Discriminação
A coisa mais aberrante, contudo, nesta lei da palhinha da droga, é o facto de não ser aleatória como é o teste do balão. É o polícia que escolhe, suspeita, desconfia do indivíduo e determina se deve aplicar o teste, pelo aspecto do fulano. Ou seja, se é um pai de família, barrigudo e de bigode, é óbvio que não é drogado porque gente assim dá no tintol ou na cerveja. Um gajo de fatinho e gravata é óbvio que não é drogado nem dá na branca, porque se veste bem e tal e conduz um carro desportivo. Um gajo vestido de preto, cheio de brincos, com uma t-shirt do Marilyn Manson ou pior, se não está bêbedo só pode ser drogado! Cospe aqui prá palhinha.
Mais uma vez, isto é contra toda a experiência e observação. Muitos toxicodependentes o foram durante anos sem que ninguém desconfiasse. Qual é o sentido deste teste?
A raiz do mal
Infelizmente, mesmo que se erradicasse todo o álcool e drogas das estradas, ainda assim não se deixava de morrer em acidentes estúpidos que podiam ser evitados.
Toda a gente sabe que a grande causa dos acidentes é o excesso de velocidade e o desrespeito pelas regras de trânsito, com ou sem álcool, com ou sem drogas.
Toda a gente sabe que nas escolas de condução se ensina que o amarelo é para parar. Toda a gente sabe que um condutor que se atreva a fazer isso está a pedir que se lhe espetem por trás. Toda a gente sabe que conduzir neste país é fugir. Fugir do gajo da frente que não diz para onde vai, fugir do gajo de trás que apita e aperta embora já se vá no limite de velocidade, fugir do gajo do lado que vai a ultrapassar às rasquinha em frente a um camião e que quando o vir vai guinar para cima de nós... As estradas portuguesas são de meter medo.
Aliás, nada melhor é exemplo do desatino deste país do que se vê nas estradas. O que se aprende na escola não se faz, então porque há escola e não se aprende com a experiência, à americana, se não para alimentar um nicho de interesses? Atenção, não estou a dizer que sou contra as escolas de condução, pelo contrário, sou contra é a sua falta de autoridade. E porque se continua a acelerar à maluca pelas estradas portuguesas, ultrapassando quando não se tem visibilidade porque se está com pressa, desrespeitando as mais elementares regras da carta? Porque se permite e tolera este comportamento? O que raio é isso da "tolerância zero"?! Tolerância zero devia ser todos os dias. Isso é que me assusta, não são as benzodiazepinas.
Está-me a passar o efeito da moca. Vou ali tomar mais uns Lorénins e um Morfex e já cá volto depois de reabastecer...
PS: A minha indignação com esta estupidez não é por ser directamente afectada. Já há anos não que não conduzo e não preciso de o fazer. A principal razão que me dissuade é a selvajaria das estradas portuguesas e as manobras suicidas e homicidas que vi em muita gente perfeitamente sóbria que conduz e continua a conduzir até ao dia em que diz que "foi azar" meter-se debaixo do camião, o que também já vi. A única máquina perigosa que manejo é mesmo este computador, onde repudio a ignorância, os falsos conceitos, a discriminação e a injustiça.
sábado, 11 de agosto de 2007
Marilyn Manson "Eat Me, Drink Me" (2007)

Cada vez que um artista que tenho o prazer de apreciar há muitos anos lança uma novidade sinto um friozinho de medo no estômago. A experiência diz-me que a criatividade se começa a esvair depois do terceiro álbum. E com a constante substituição dos membros mais antigos, Marilyn Manson é cada vez mais o homem a solo e cada vez menos a banda, se alguma dúvida houvesse. Este costuma ser também um sinal de alarme sobejamente conhecido. Às vezes sangue fresco é bom para as bandas; na maioria dos casos, o choque brutal de vedetismo e gerações arrasta-as para o abismo de se tornarem uma banda de covers delas próprias.
Ainda não foi desta com Marilyn Manson mas já se nota o peso da repetição da fórmula, embora inconfundível e brilhante. Ouvintes casuais poderão achar mais do mesmo... mas os fãs não ficarão desapontados.
Por falar em decepção, nos últimos tempos, sempre que pergunto a alguém se gosta de Marilyn Manson, tenho recebido invariavelmente a mesma resposta: "O último álbum não é nada de jeito, pois não?" Sejamos francos, sou fã desde 1996, desde "Beautiful People" e "The Reflefcting God", e "The Golden Age of Grotesque" foi coisa que não ouvi mais do que duas vezes. "Eat Me, Drink Me", pelo contrário, é um álbum que cresce a cada audição.
Aqui não está a crítica verrinosa de um "Antichrist Superstar" nem a raiva política de um "Holy Wood". Em "Eat Me, Drink Me", Manson regressa à dolorosa melancolia dos relacionamentos afectivos. Se em "Mechanical Animals" o envolvimento era superficial, (I'm not in love but I'm gonna fuck you till someone better comes along), aqui o amor é verdadeiro e despedaça a carne e esvazia as veias: Love is a fire. Burns down all that it sees. Burns down everything. ("Just a Car Crash Away"). Manson gosta de álbuns conceptuais e desta vez fê-lo em torno do vampirismo e do canibalismo, metáforas tão eternas como trágicas para o amor que consome tudo até às cinzas.
"If I Was Your Vampire", "Heart-Shaped Glasses" e "You and Me and the Devil Makes 3" ameaçam ser os temas com maior possibilidade de se tornarem clássicos, mas, no todo, este é um álbum que agradará mais às pessoas apaixonadas e ainda mais à beira da ruptura. Por mim, prefiro um "Antichrist" ou um "Holy Wood". Isto do amor já não me diz nada:
So ask your self before you get in,
I know the insurance won't cover this.
Are you the rabbit
Or the headlight,
And is there
Room in your life
For one more breakdown?
("Are You the Rabbit?")
Marilyn Manson volta ao Pavilhão Atlântico de Lisboa a 19 de Novembro.
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