quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Precariados de todo o mundo, uni-vos!

Há dias, através do Sorumbático, li uma coisa que me deixou perturbada. Diz Alfredo Barroso:

«No fundo, o propósito é o de reformatar a modernidade económica, banindo do vocabulário corrente as perigosíssimas noções de desenvolvimento humano, equidade e bem-estar social.
Estamos, assim, a assistir à emergência de uma nova classe social, a que alguns sociólogos já chamam «precariado». Uma espécie de neologismo que resulta da síntese dos termos proletariado (ao qual fora arrancada grande parte da classe média, no século XX) e precariedade (do emprego, do salário, da vida quotidiana e, portanto, do futuro). Viva, então, o precariado! Uma nova classe social tanto mais vulnerável quanto menos solidários e mais solitários forem os seus putativos membros - política e sindicalmente incapazes de se organizarem, envergonhados pela sua despromoção social, com receio de serem tratados como comunistas pela esquerda moderna e, por isso, já resignados.»


Acho estas afirmações injustas e mesmo ofensivas para com a classe social à qual involuntariamente pertenço, os escravos, ou, no engenhoso termo acima, o precariado, que é política e historicamente mais bonito. Mas a verdade é que estamos de mãos atadas. Antigamente o objectivo era ter uma vida. Hoje é sobreviver.
Diz Alfredo Barroso que não somos solidários, que somos incapazes de nos organizarmos, como se fazê-lo pudesse mudar a situação. Quando é a sobrevivência que está em jogo, o pão para a boca, o cão come cão, a luta contra o sistema é um luxo de poucos, e os que podem não devem de certeza pertencer assim tanto ao precariado, porque depressa passariam da classe de escravos à classe dos mendigos (ver história real aqui) e ainda menos se fariam ouvir.
Quando a lei é a do dinheiro, os ricos mandam nos pobres. Ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Cabe ao Estado impor a lei do Direito para repor a igualdade. Cabe ao Estado fiscalizar as empresas que não cumprem a lei e punir as irregularidades. Caberia ao Estado proibir que milhares de recém licenciados (e não só) trabalhem meses e anos a fio, nas empresas e no próprio Estado!!!, sem ganhar um tostão ou ganhando poucos tostões, obrigando os pais (muitos já reformados) a sustentar os filhos com o modesto ordenado ou a pensão. Cabe ao Estado impedir que a imigração descontrolada tire o emprego aos nacionais e os obrigue também a emigrar, passando, como os imigrantes são aqui, a ser escravos noutro sítio.
Já o disse, muitas vezes, que a Justiça é o grande cancro do país e da nação. Sem ela, o cidadão individual não pode lutar pelos meios legais. Não pode o trabalhador sozinho, nem adianta estar num sindicato que também nada pode fazer quando há dezenas que candidatos ao emprego, à porta, à espera de se venderem por menos tostões.
A análise do senhor Alfredo Barroso é típica das mentalidades que ainda pensam que vivem no PREC e os outros também. Curiosamente, foi a geração deste senhor, e as seguintes, que tornaram as coisas no que são agora. E aparentemente continuam a apontar o dedo a tudo e a todos sem pesarem a culpa própria. A Educação não presta, a Justiça não funciona, a Economia apagou-se como as luzes do Titanic quando já estava partido ao meio.
O que quer então Alfredo Barroso que a minha geração, a dos trinta, e as gerações mais novas façam perante a situação? Quem pode, foge para o estrangeiro. E os outros? Quererá que eu processe o Estado por fraude quando os professores do Estado me garantiram que estava a ter uma boa Educação e a trabalhar pelo meu futuro? Sem opções legais, quererá que façamos uma revolução como no tempo dele, para dar os resultados que hoje vemos? Repetir o erro?
Não é uma questão de resignação. Resignado, ninguém está. São as gerações mais velhas e de memória curta (deve ser da senilidade precoce) que votam sempre nos mesmos partidos e não dão oportunidade a quem se lhes oponha nos jeitos corruptos, vendidos e desonestos de sempre. No fundo, até gostam que ninguém lhes troque as voltas viciadas.
Durante muito tempo, tive esperança de que a Europa, uma autoridade externa e imparcial, impusesse ao Estado a Justiça que os corruptos e vendidos governos nacionais só aplicam para punir os pobres. Mas as coisas mudaram. O mundo levou um pontapé no cu a 11 de Setembro de 2001 e a Europa encolheu-se e largou mão dos direitos sociais. Todo o planeta vai entrar às cegas num conflito global sem precedentes em que os mais pobres da aldeia global ameaçam os senhores do castelo com forquilhas e tochas.
Como consequência, isto aqui é um cadáver anunciado. Não é por acaso que eu gosto da metáfora do Titanic. Como lá, houve avisos a tempo mas ninguém acreditou. Ninguém acreditou em mim e noutros visionários nos anos 90, quando ainda se podia fazer alguma coisa, pelo menos no que a Portugal diz respeito. Nada se fez e agora é tarde. Só se vê trevas e abismo. Já estamos na água e começa a arrefecer. Quem apanhar uma tábua que se agarre a ela. É o salve-se quem puder. Quem sobreviver que conte a história.

Benzodiazepinas e outras aberrações

Hoje tava eu a pastilhar com dois ou três Xanaxes, um Prozac e mais meia dúzia de lorazepans genéricos - que isto comigo é sempre a abrir, sempre a dar na merda! - quando descobri que sou uma drógada, fónix! Plaavre ed hnroa, nme sie coom é qee etosu a cnosegiur esrcevre cmo antta dorag an cbaeça!
(Se conseguiram perceber a frase acima, não se preocupem, não estão doidos. A mente tem o poder de reconhecer as palavras embora as letras estejam trocadas desde que lá estejam as letras todas. Aprendi num email.)

Anda a polícia de trânsito a fazer testes às benzodiazepinas, à heroína, à cocaína, ao haxixe e ao ecstasy, para detectar os condutores que conduzem sob o efeito de droga. Assim, tudo no mesmo saco. Eu dou na benza desde os 14 anos. Todos os dias dou na benza. Fiz o liceu e a faculdade a dar na benza. Vou trabalhar todos os dias a dar na benza. Fónix, até tirei a carta a dar na benza! Dia sem benza não é dia.
Eu sei que não sou grande exemplo de lucidez. Ainda agora, por causa da pedrada da benza, quase espetei o teclado contra o monitor. É como eu digo, nem sei como é que estou a escrever isto tudo sem cair da cadeira, tal é a pedra.

Agora, muito a sério, compreendo perfeitamente o sentido de detectar drogas que alteram a consciência a ponto de distorcerem a realidade. Mas toda a gente sabe, por experiência própria ou por observação, que os comprimidos para dormir, os ansiolíticos, os antidepresivos, não alteram a realidade nem causam delírios nem diferenças de comportamento como as outras drogas referidas e o álcool.
Para quem não sabe, que fique agora a saber, todos os medicamentos que referi (comprimidos para dormir, ansiolíticos, antidepresivos) causam efeitos secundários que podem perturbar o funcionamento normal e quotidiano nos primeiros dias da toma. Aliás, vem na literatura inclusa: "não conduzir nem manejar máquinas perigosas enquanto não conhecer os efeitos". Se um destes medicamentos causa distorção da realidade, delírio, agressividade, alterações comportamentais, euforia, etc, etc, como as outras drogas e o álcool, o que às vezes acontece!, o tratamento deve ser suspenso imediatamente e deve-se procurar outro mais adequado. Se o medicamento funcionar como se pretende (induzir o sono, acalmar, melhorar o humor), a pessoa habitua-se em poucos dias e pode fazer tudo o que as outras pessoas fazem. É por isso que as pessoas sob estes medicamentos podem trabalhar, andar na rua, tomar conta dos filhos, tomar decisões responsáveis e legalmente válidas e, também, conduzir.
É claro que não passa pela cabeça de ninguém responsável ir conduzir depois de tomar comprimidos para dormir. Os comprimidos para dormir dão sono. Se a pessoa for irresponsável ao ponto de o fazer, não é mais irresponsável que o condutor que, não tomando comprimidos nenhuns, não pára de conduzir embora esteja sonolento e corra o risco de adormecer ao volante. Os fármacos de que falo não induzem no condutor a sensação de "invencibilidade", prazer e euforia que as outras drogas e o álcool provocam. Toda a gente sabe isto. O condutor irresponsável que sabe que estes medicamentos de toma continuada lhe prejudicam o raciocínio é o mesmo condutor irresponsável que atende o telemóvel quando conduz. Não é a droga que o transforma, é a atitude que o que o faz agir.
Os comprimidos para dormir, os antidepressivos, os ansiolíticos, tal como o tabaco, são substâncias que não alteram a percepção da realidade nem causam delírios, e ainda estou para ver a pessoa que apesar destes efeitos secundários os continua a tomar, porque os efeitos secundários não são fonte de prazer.

Discriminação

A coisa mais aberrante, contudo, nesta lei da palhinha da droga, é o facto de não ser aleatória como é o teste do balão. É o polícia que escolhe, suspeita, desconfia do indivíduo e determina se deve aplicar o teste, pelo aspecto do fulano. Ou seja, se é um pai de família, barrigudo e de bigode, é óbvio que não é drogado porque gente assim dá no tintol ou na cerveja. Um gajo de fatinho e gravata é óbvio que não é drogado nem dá na branca, porque se veste bem e tal e conduz um carro desportivo. Um gajo vestido de preto, cheio de brincos, com uma t-shirt do Marilyn Manson ou pior, se não está bêbedo só pode ser drogado! Cospe aqui prá palhinha.
Mais uma vez, isto é contra toda a experiência e observação. Muitos toxicodependentes o foram durante anos sem que ninguém desconfiasse. Qual é o sentido deste teste?

A raiz do mal

Infelizmente, mesmo que se erradicasse todo o álcool e drogas das estradas, ainda assim não se deixava de morrer em acidentes estúpidos que podiam ser evitados.
Toda a gente sabe que a grande causa dos acidentes é o excesso de velocidade e o desrespeito pelas regras de trânsito, com ou sem álcool, com ou sem drogas.
Toda a gente sabe que nas escolas de condução se ensina que o amarelo é para parar. Toda a gente sabe que um condutor que se atreva a fazer isso está a pedir que se lhe espetem por trás. Toda a gente sabe que conduzir neste país é fugir. Fugir do gajo da frente que não diz para onde vai, fugir do gajo de trás que apita e aperta embora já se vá no limite de velocidade, fugir do gajo do lado que vai a ultrapassar às rasquinha em frente a um camião e que quando o vir vai guinar para cima de nós... As estradas portuguesas são de meter medo.
Aliás, nada melhor é exemplo do desatino deste país do que se vê nas estradas. O que se aprende na escola não se faz, então porque há escola e não se aprende com a experiência, à americana, se não para alimentar um nicho de interesses? Atenção, não estou a dizer que sou contra as escolas de condução, pelo contrário, sou contra é a sua falta de autoridade. E porque se continua a acelerar à maluca pelas estradas portuguesas, ultrapassando quando não se tem visibilidade porque se está com pressa, desrespeitando as mais elementares regras da carta? Porque se permite e tolera este comportamento? O que raio é isso da "tolerância zero"?! Tolerância zero devia ser todos os dias. Isso é que me assusta, não são as benzodiazepinas.

Está-me a passar o efeito da moca. Vou ali tomar mais uns Lorénins e um Morfex e já cá volto depois de reabastecer...


PS: A minha indignação com esta estupidez não é por ser directamente afectada. Já há anos não que não conduzo e não preciso de o fazer. A principal razão que me dissuade é a selvajaria das estradas portuguesas e as manobras suicidas e homicidas que vi em muita gente perfeitamente sóbria que conduz e continua a conduzir até ao dia em que diz que "foi azar" meter-se debaixo do camião, o que também já vi. A única máquina perigosa que manejo é mesmo este computador, onde repudio a ignorância, os falsos conceitos, a discriminação e a injustiça.

sábado, 11 de agosto de 2007

Marilyn Manson "Eat Me, Drink Me" (2007)



Cada vez que um artista que tenho o prazer de apreciar há muitos anos lança uma novidade sinto um friozinho de medo no estômago. A experiência diz-me que a criatividade se começa a esvair depois do terceiro álbum. E com a constante substituição dos membros mais antigos, Marilyn Manson é cada vez mais o homem a solo e cada vez menos a banda, se alguma dúvida houvesse. Este costuma ser também um sinal de alarme sobejamente conhecido. Às vezes sangue fresco é bom para as bandas; na maioria dos casos, o choque brutal de vedetismo e gerações arrasta-as para o abismo de se tornarem uma banda de covers delas próprias.
Ainda não foi desta com Marilyn Manson mas já se nota o peso da repetição da fórmula, embora inconfundível e brilhante. Ouvintes casuais poderão achar mais do mesmo... mas os fãs não ficarão desapontados.
Por falar em decepção, nos últimos tempos, sempre que pergunto a alguém se gosta de Marilyn Manson, tenho recebido invariavelmente a mesma resposta: "O último álbum não é nada de jeito, pois não?" Sejamos francos, sou fã desde 1996, desde "Beautiful People" e "The Reflefcting God", e "The Golden Age of Grotesque" foi coisa que não ouvi mais do que duas vezes. "Eat Me, Drink Me", pelo contrário, é um álbum que cresce a cada audição.
Aqui não está a crítica verrinosa de um "Antichrist Superstar" nem a raiva política de um "Holy Wood". Em "Eat Me, Drink Me", Manson regressa à dolorosa melancolia dos relacionamentos afectivos. Se em "Mechanical Animals" o envolvimento era superficial, (I'm not in love but I'm gonna fuck you till someone better comes along), aqui o amor é verdadeiro e despedaça a carne e esvazia as veias: Love is a fire. Burns down all that it sees. Burns down everything. ("Just a Car Crash Away"). Manson gosta de álbuns conceptuais e desta vez fê-lo em torno do vampirismo e do canibalismo, metáforas tão eternas como trágicas para o amor que consome tudo até às cinzas.
"If I Was Your Vampire", "Heart-Shaped Glasses" e "You and Me and the Devil Makes 3" ameaçam ser os temas com maior possibilidade de se tornarem clássicos, mas, no todo, este é um álbum que agradará mais às pessoas apaixonadas e ainda mais à beira da ruptura. Por mim, prefiro um "Antichrist" ou um "Holy Wood". Isto do amor já não me diz nada:

So ask your self before you get in,
I know the insurance won't cover this.
Are you the rabbit
Or the headlight,
And is there
Room in your life
For one more breakdown?


("Are You the Rabbit?")




Marilyn Manson volta ao Pavilhão Atlântico de Lisboa a 19 de Novembro.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A arte não tem raça

In Blitz:

"Hitler ouvia música de russos e judeus

Tchaikovsky, Borodin e Rachmaninoff constavam da colecção pessoal do Fuhrer.

A colecção de discos de Adolf Hitler, recentemente encontrada nos arredores de Moscovo, contém nomes de compositores e de músicos inesperados. O ditador alemão considerava os músicos judeus e os compositores alemães como pertencentes a uma raça “sub-humana”, para além de considerar que não existia algo a que se pudesse chamar de “arte judia”. No entanto, parece que Hitler os escutava em segredo.

Assim, entre as obras dos alemães Wagner e Beethoven, que com naturalidade se encaixavam na colecção do Fuhrer, surgem alguns discos mais inesperados: um concerto do compositor russo Tchaikovsky onde o violinista judeu, Bronislaw Huberman fazia um solo. O mesmo Bronislaw que havia sido considerado inimigo público do Terceiro Reich alemão.

O nome de Artur Schnabel surgia noutro disco. Schnabel foi um músico e cantor austríaco, forçado a abandonar a Alemanha no ano de 1933 por ser judeu. Outros discos continham obras dos compositores russos Borodin e Rachmaninoff.

No seu famoso livro Mein Kampf , Adolf Hitler disse nunca ter existido arte judia, e que continuava a não existir nenhuma na época, para além de rejeitar qualquer contributo dos russos no mesmo campo. Ironicamente, enquanto guardava obras dos mesmos na sua colecção pessoal de discos."

domingo, 5 de agosto de 2007

Uma verdade inconveniente

Neste documentário, Al Gore apresenta provas inéditas, científicas e irrefutáveis que estabelecem uma relação directa entre o aumento de gases de estufa na atmosfera e as alterações climáticas que irão precipitar uma nova Idade do Gelo se nada for feito nos próximos 50 anos.
O grande trunfo deste filme, que devia abrir os olhos a muitos cépticos e pessoas mal informadas, é como Al Gore desmonta os interesses industriais por trás da confusão estabelecida nos media que tenta por todos os meios esconder esta verdade mais que inconveniente... Aterradora!
Não chega reciclar garrafas de plástico e comprar um carro híbrido. Não chega que individualmente cada um faça a sua parte. É preciso o que faltou até agora, empenho e vontade política para arrepiar caminho. É preciso decidir entre uma civilização ambientalmente viável ou civilização nenhuma. Tão simples como isto.

Jeepers Creepers (2001)



O filme já não é novo mas só agora tive oportunidade de ver "Jeepers Creepers", o original. Há muito tempo que não assistia a um filme de terror tão bem construído. Quando dois irmãos regressam a casa para as férias de verão, fazendo o caminho por estradas secundárias e pouco frequentadas para apreciar a paisagem, descontraídos da vida, eis que vêem ao longe algo que tem todo o aspecto de ser um crime. Assim que se aproximam, para socorrer a vítima, deparam-se com toda a dimensão de um horror que jamais poderiam imaginar. É um vampiro? É um demónio? É o homem-traça?
Cada vez mais intenso à medida que passam os minutos, este filme ainda consegue prender-nos à cadeira à espera da próxima cena, ao contrário de muitos filmes mais recentes e de melhor reputação (imerecida!) que submergem o espectador logo a princípio numa banheira de sangue a partir da qual só arrancam o bocejo (ex: o remake de "Amityville").
Um bom filme de terror é aquele que nos faz pensar "isto pode acontecer-me a mim". A partir de agora nunca mais viajarei pelas pachorrentas estradas secundárias do interior com o mesmo à vontade, especialmente se na banda sonora levar comigo o "Jeepers Creepers" da Siouxie, o que é bem possível. Livra!

15 em 20

The Reaping/A Praga (2007)



Eis um filme que podia ser muito melhor do que saiu cá para fora se ao menos houvesse um realizador decente que pegasse nele. Se um filme precisa de um remake, é este.
A história tem tudo para resultar: uma académica que investiga milagres e os expõe como fraudes é chamada a uma pequena povoação no sul da América profunda (o mesmo território a que os próprios americanos chamam, jocosamente, "Jesusland", devido ao fundamentalismo cristão que por lá grassa e que garantiu a reeleição de George W. Bush), onde parece que o rio se transformou em sangue, como numa das dez pragas bíblicas do Velho Testamento. Todo o interesse do filme reside na sobrenaturalidade das pragas, mas é aqui que os realizador se espalha, hesitando entre o fio da meada e os flashbacks à tragédia pessoal da investigadora que acabam não só por não explicar decentemente o passado como ainda prejudicam a narrativa do presente.
No final, a montanha pariu um rato e o filme não está à altura do desafio a que se propôs. Pena, porque a coisa prometia.
Onde estão o Mulder e a Scully quando se precisa deles?

13 em 20.