Eu, que sou escrava, não tenho carro. Trabalho longe e não posso ir trabalhar porque não tenho metro. Resultado, por especial favor, meus amos concederam que trocasse a folga pelo dia de hoje. Assim não perco um dia de vencimento que, acreditem, por ser miserável, conta muito.
Mas não é por isso que não faço greve. Miséria por miséria... É que a greve é para quem tem empregos a sério, que não são contratados por empresas de trabalho temporário (literalmente permanente), como é o meu caso. Nas empresas de trabalho temporário os contratos não são renovados ao fim de dois anos. Por isso agora é tempo de formiga, trabalhar para amealhar para quando não me renovarem o contrato.
Não trabalho hoje, trabalho no dia de folga. Ninguém vai contabilizar esta minha ausência, nos media, porque nós os precários somos invisíveis e nem para as greves contamos.
É este o meu país geral.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Porque apoio Paulo Portas
Hoje, dois em um:
É A GUERRA!
Mas há mais. A 23 de Maio:
Há mais. Elas que venham. Assim até é fácil. Tenho a papinha toda feita.
Mais notícias aqui.
Educação: Portas protesta contra "sistema de ensino de faz-de-conta"
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, protestou hoje contra a ausência de penalização dos erros ortográficos na prova de aferição de português, considerando que se vive "um sistema de ensino faz-de-conta".
"Através da comunicação social, o país tomou hoje conhecimento de que nas provas de aferição na disciplina de Português os erros de Português, de ortografia, não contam para efeitos de classificação. Gostava de deixar muito claro o protesto do CDS por este facto", afirmou Paulo Portas, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita à Feira do Livro de Lisboa.
O Diário de Notícias noticia hoje que os "erros de ortografia não contam para a avaliação", escrevendo que "erros de construção frásica, grafia ou de uso de convenções não são para descontar" nas referidas provas, informação entretanto desmentida "liminarmente" pelo Ministério da Educação.
O Gabinete de Avaliação Educacional justificou a ausência de penalização de erros ortográficos na parte das provas de aferição dedicada à interpretação de texto com a necessidade de avaliar separadamente diferentes competências da língua e traçar estratégias distintas.
"Já sabíamos que as provas de aferição não contam para a avaliação do aluno, agora ficámos a saber que os erros de português numa prova de português não contam para a classificação do aluno", criticou Portas.
"Estamos num sistema de ensino faz-de-conta, e isso do ponto de vista do CDS é inaceitável", acrescentou.
Para o líder do CDS-PP, "há verbos proibidos" entre os "ideólogos do Ministério da Educação".
"O verbo estudar é disfarçado, o verbo examinar é disfarçado, o verbo passar é disfarçado, o verbo chumbar desapareceu e agora errar também é indiferente", criticou Portas, garantindo que o CDS irá questionar o Ministério da Educação sobre esta matéria.
"Não é para isto que o contribuinte paga o sistema educativo", acrescentou.
Lusa
Impostos: Portas critica Estado por "entrar em casa das famílias sem bater à porta"
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, criticou hoje a obrigatoriedade de as doações acima dos 500 euros terem de ser declaradas ao Fisco, acusando o Estado de querer "entrar em casa das famílias sem bater à porta".
"Eu não aceito que o Estado, através da administração fiscal, se ache no direito de, sem bater à porta, entrar na casa das famílias e ingerir na gestão financeira das famílias", criticou Paulo Portas, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita à Feira do Livro de Lisboa.
Devido às alterações introduzidas em 2006 ao Imposto de Selo, todos os contribuintes que façam doações superiores a 500 euros estão obrigados a pagar imposto de selo, entregando ao Fisco o modelo 1 do Imposto de Selo na altura da doação.
As doações entre pais e filhos, marido e mulher e avós e netos estão isentas do pagamento desse imposto, mas todos os contribuintes que façam doações superiores a 500 euros têm a obrigação de o declarar ao Fisco, sob pena de serem multados.
A confusão nesta matéria surgiu depois do primeiro-ministro ter dito no Parlamento, em Janeiro, que "não existem doações entre pais e filhos, nem entre cônjuges", sugerindo que as mesadas que os pais dão aos filhos não têm de ser declaradas às Finanças.
"Fizemos a pergunta pertinente ao primeiro-ministro e lembrar-se-ão, os que assistiram ao debate, que o primeiro-ministro dizia que era fantasia nossa. Afinal, o primeiro-ministro não estava exactamente dentro do assunto", referiu Portas.
Depois de um requerimento feito por duas deputadas socialistas ao Ministério das Finanças a pedir esclarecimentos sobre este assunto, o gabinete de Teixeira dos Santos reafirmou segunda-feira a obrigação de declaração em situações de doações superiores a 500 euros entre pais e filhos, mas esclareceu que as mesadas decorrem do dever do poder paternal e não são por isso consideradas doações para efeitos fiscais.
No entanto, o líder do CDS-PP deu alguns exemplos de situações que implicam a declaração de uma doação ao Fisco, e que classificou de "absurdas".
"Por exemplo, um pai que dá um prémio a um filho porque ele passou de ano (...), um avô que paga alguns dos estudos do seu neto (...), um presente de casamento", enumerou.
"Para os socialistas o Estado pode entrar em casa das pessoas, para nós o Estado fica à porta, e isso é uma separação absolutamente fundamental", defendeu Paulo Portas.
O líder do CDS-PP salientou que foi por influência do seu partido que terminou o imposto sucessório entre cônjuges, descendentes e ascendentes.
"Essa foi uma das marcas que o CDS conseguiu levar para o Estado, maior respeito pela família", disse.
"O Estado que se meta na sua vida e deixe a vida das famílias tranquilas", aconselhou Portas, garantindo que o CDS irá questionar o Ministério das Finanças sobre este tema.
Lusa
É A GUERRA!
Mas há mais. A 23 de Maio:
Tabaco: CDS-PP quer possibilidade de haver espaços para fumadores
O CDS-PP propôs hoje, no início da discussão na especialidade da Lei do Tabaco, que possam existir espaços classificados como para fumadores e outros para não-fumadores, à semelhança do que acontece em Espanha.
"Queremos a possibilidade de existirem espaços para fumadores e para não-fumadores (.) Não podemos atentar contra o direito de iniciativa privada de quem quer ter um espaço para fumadores", defendeu o deputado do CDS-PP Hélder Amaral, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
"Deve caber a cada cidadão a escolha de ir a um restaurante para fumadores ou não-fumadores", acrescentou.
O deputado do CDS-PP considerou que esta alteração tornaria a lei "equilibrada, que protege direitos dos fumadores e não fumadores", salientando que é este o modelo legislativo em Espanha.
A proposta de lei do tabaco, aprovada na generalidade pela Assembleia da República a 03 de Maio, com os votos favoráveis do PS, do PSD e do CDS-PP, proíbe totalmente o fumo em restaurantes e bares com menos de 100 metros quadrados, permitindo a criação de um espaço para fumadores - nunca superior a 30 por cento da área total - nos estabelecimentos de maior dimensão.
O CDS-PP quer ainda que, em estabelecimentos onde o espaço de fumadores e não fumadores seja comum (com dimensão superior a 150 metros quadrados), seja atribuída uma quota de 50 por centro a cada uma das categorias.
"É do mais elementar bom senso que o espaço entre fumadores e não fumadores seja equilibrado", defendeu, considerando que, se tal não acontecer, os bares, restaurantes e discotecas situados perto da fronteira com Espanha poderão ser prejudicados.
O CDS-PP quer ainda uma redução das coimas para os infractores particulares, situando-as entre os 10 e os 150 euros.
A proposta de lei aprovada na generalidade prevê para quem insistir em fumar nos locais proibidos contra-ordenações que poderão ser punidas com coimas entre os 50 e os mil euros para o fumador.
O diploma começou a ser hoje discutido na especialidade, num grupo de trabalho a funcionar junto da Comissão parlamentar de Saúde.
Contactada pela Lusa, a presidente desta comissão, a socialista Maria Belém, disse esperar que a votação da lei na especialidade possa ocorrer a 20 de Junho.
Lusa
Há mais. Elas que venham. Assim até é fácil. Tenho a papinha toda feita.
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terça-feira, 29 de maio de 2007
Hora Absurda
Descobri um blog de leitura obrigatória para quem gosta de perceber as coisas, tem cultura geral que baste e grande sentido de humor: Hora Abusurda VI.
Segundo um dos tratados do autor, o mundo divide-se em tios e bestas. Os tios são poucos. As bestas são os outros.
Aconselho também a leitura do tratado paralelo "Das Tinturra".
Mas isto é como tudo, vou ter de entrar em saudável altercação. Diz o autor em certo passo:
Discordo! Discordo completamente! Só há duas profissões mais difíceis que operador de call center, e são elas, por ordem de dificuldade: ministro e primeiro-ministro. Os operadores de call center são ainda os que mentem menos dos três, razão pela qual auferem menos rendimento, o que é perfeitamente justo. O rendimento tem de ser proporcional ao grau de mestria do mentiroso, com ou sem diploma.
Segundo um dos tratados do autor, o mundo divide-se em tios e bestas. Os tios são poucos. As bestas são os outros.
É certo que o pacto de Bolonha já reduziu a licenciatura para três anos, mas muito há que caminhar ainda até que as bestas possam também fazer as suas licenciaturas por fax, e não precisem andar a gastar o dinheiro dos progenitores durante anos, só para terem um título que lhes garanta emprego num qualquer call center ou num supermercado, ou ainda, caso tenham sorte, como trabalhadores da FNAC, onde ao menos podem ter acesso aos livros.
Já viram como a mão-de-obra iria embaratecer se as licenciaturas fossem feitas por fax ou até mesmo online?
Aconselho também a leitura do tratado paralelo "Das Tinturra".
Neste momento só conheço um tio que está preso, o coitado do tio Valle e Azevedo, e só porque comprou um botinho de borracha com dinheiro do Benfica. Que eu saiba ele não violou ninguém nem roubou dinheiro como os donos dos bancos. Felizmente agora os tios já fizeram uma lei que permite roubar quantias até quase cem euros de tintura a cada besta, sem estar a cometer crime algum. (...)
Resumindo, os tios estão, para já, a salvo das bestas porque estas andam desorientadas que nem baratas tontas, sem saber já em quem acreditar ou não, e têm razão em não acreditar em nenhum tio porque nenhum deles dá um ponto sem nó, e quando dá um nó tem a lei do seu lado e os advogados merdiáticos que os ajudam a desfazer o nó. De resto, podem dormir descansados porque as forças policiais, os securitas e, em último caso, os militares, saberão defendê-los das bestas porque as bestas foram feitas só, e exclusivamente, para trabalhar para o bem dos tios.
Mas isto é como tudo, vou ter de entrar em saudável altercação. Diz o autor em certo passo:
Os tios Marx e Engels julgavam – aliás, como todas as bestas julgam – que já se atingira no tempo deles o estádio final da revolução que as máquinas provocaram na vida das bestas. Deste modo, as bestas operárias necessárias para trabalhar nas fábricas teriam um grau mínimo de competências porque aquilo que tinham que fazer era tão simples que qualquer besta seria capaz de o fazer. Isso ficou bem ilustrado no filme do Charlot, Tempos Modernos. Este filme devia fazer parte dos curricula de todas as escolas do país, não só para mostrar aos alunos, como também para que os professores o vissem e se consciencializassem que a robotização precisa de bestas ainda mais burras do que as da industrialização tayloriana. Se uma besta que trabalha numa linha de montagem tem que saber executar uma pequena tarefa, uma besta robotizada pode ser instruída numa hora. Tomemos como exemplo o trabalho num call center, destinado a bestas licenciadas, e digam-me lá se aprender a dizer “Bom dia, daqui fala a Marta, em que posso ajudá-lo?” precisa de grandes preparações. O mais difícil é ajudar, mas já ninguém espera ajuda dos call centers e contenta-se com dois dedos de conversa e, sabe-se lá…
Discordo! Discordo completamente! Só há duas profissões mais difíceis que operador de call center, e são elas, por ordem de dificuldade: ministro e primeiro-ministro. Os operadores de call center são ainda os que mentem menos dos três, razão pela qual auferem menos rendimento, o que é perfeitamente justo. O rendimento tem de ser proporcional ao grau de mestria do mentiroso, com ou sem diploma.
domingo, 27 de maio de 2007
Dá que pensar
Em seguida transcrevo um excerto de um diálogo do filme The Crooked E: The Unshredded Truth About Enron que passou recentemente na televisão, e que achei tão interessante que me dei ao trabalho de reproduzir. Trata-se de um diálogo em que um administrador da Enron explica a um jovem recentemente contratado como se processava o esquema Enron. Quem quiser ver alguns paralelos com outras situações dentro de casa, esteja à vontade.
Diria mesmo mais: até há por aí países assim.
"- A Enron tem muitos vermos, Cruver. A Enron tem milhões e milhões de vermes.
- Mas ainda há três semanas a Enron era invencível, e agora enfrenta falência, como é que isso aconteceu?
- É a pergunta dos 25 milhões, não é? De quem é a culpa? Obviamente da gestão da Enron, uns sacanas gananciosos. Cobrávamos belos bónus baseados em lucros falsos. Vendíamos as nossas acções quando dizíamos a todos para comprar. Por uns míseros 52 milhões de dólares por ano a Enron comprou a Arthur Anderson e tudo o mais que fosse preciso. A Direcção? Não queria saber o que faziam as chefias desde que o preço das acções continuasse a subir. E todos tinham parte naquilo: os bancos, as seguradoras, as corretoras, os analistas, os media, os políticos, todos nos apoiavam das barreiras. 'Vai, Enron, vai! Sobe o preço das acções!' Alan Greenspan chamava-lhe a 'exuberância irracional'. Eu chamo-lhe a boa da ganância. Certo, vamos para o estrangeiro construir centrais eléctricas. Índia, Guatemala, Brasil, República do sei lá de quê... Nós íamos, negociávamos as ofertas, fazíamos acordos, embolsávamos os nossos lucros e recebíamos os nossos bónus. Só existia um problema. Na Enron ninguém sabia o que estava a fazer. Foi a globalização da estupidez. Foi esse o verdadeiro método da Enron.
- Mas eu não compreendo. A Enron reinou em Harvard, Goldman Sachs, no New York Times, no Wall Street Journal...
- Vou contar-te uma história, Cruver. San Juan, Porto Rico. Instalámos quilómetros de oleodutos através de uma subsidiária. Fizemos um trabalho miserável, claro. Os canos têm fugas. Apresento o problema à gestão...
- O que aconteceu?
- Quebrei a regra da Enron. Nada de más notícias. Nada de más notícias, nunca. Transferiram o meu coiro para o outro lado do mundo. Um ano depois do meu relatório, um oleoduto rachado provoca uma explosão de gás. 80 pessoas feridas, 33 mortos. Os bónus foram pagos a tempo. Eu descontei o meu cheque. O sistema era corrupto, quase desde o início. Foi criado para enriquecer pessoas, as pessoas certas, com base no preço das acções. Ganhos reais e lucros reais para a empresa era uma consideração secundária. Bastava manter o preço das acções bem alto, pagar aos auditores, subornar os políticos, e encantar os media e Wall Street. Manter a mentira, bastava manter a mentira. Os bónus e as opções de compra não deixariam de chegar. De quem é a culpa? Minha. A culpa foi minha e de outros como eu. Vigaristas reles e imorais que o Lay e o Skilling não tinham problemas em recrutar das altas patentes militares, da escola de Gestão de Harvard, da escola de Economia de Londres, ou da Arthur Anderson. Os melhores dos melhores, Cruver. Somos os melhores e os mais espertos. Somos os maus, os criminosos. E não penses que é só esta empresa. Há centenas, milhares de Enrons por aí, a falsear a contabilidade, a inflaccionar os lucros, a esconder a dívida, a comprar a fiscalização."
Diria mesmo mais: até há por aí países assim.
"Coisa Ruim" (2006)

Amante que sou de filmes de terror, é sempre com grande expectativa que assisto às tentativas nacionais. "Coisa Ruim" (realizado por Tiago Guedes e Frederico Serra e escrito por Rodrigo Guedes de Carvalho) tem bons momentos, muitos e interessantes, e dá a entender que tem asas para levantar voo a qualquer momento. Uma família "bem", de Lisboa, muda-se para uma casa de campo no norte, numa aldeia fortemente supersticiosa onde se acredita em maldições, lobisomens e mafarricos em geral. A consciência colectiva da pequena comunidade acusa-os de os seus antepassados não terem evitado o massacre de uma pobre família da terra às mãos dos poderosos desse tempo, de modo que o único remédio para apaziguar os espíritos errantes é a penitência e o terço.
O enredo tem tudo para fazer deste o primeiro filme de terror português a sério ("I'll See You In My Dreams" é mais um video clip com zombies do que outra coisa), mas nada acontece excepto uns abanões na mobília e umas correntes de ar. Era preciso mais. Era preciso terror físico ("o monstro horrendo", como em "Aliens") ou psicológico (a revelação perturbadora, como em "os Outros", susceptível de tirar o sono a muito gente). Ou ambos, como no "Exorcista", filme que não por acaso é considerado por muita gente o melhor filme de terror de todos os tempos. Mas em "Coisa Ruim" tudo se dilui na sugestão, nas conversas filosóficas de professor de liceu entre os crentes e os cépticos, e o próprio final não se percebe: interpreta-se. Isto é muito interessante para os filmes pretenciosos que caracterizam o nosso velho continente mas falha redondamente quando se mexe no terror.
O filme é um pouco como o país em que se passa a história. Nada de facto acontece, até os fantasmas são serenos como o povo, até do medo se tem medo e se tem medo de fazer medo. E como um filme de terror não é um documentário antropológico mas o filme vale mais por isso do que outra coisa...
13 em 20
PS: Na emissão do filme a que eu assisti, na RTP1, a imagens sofreu imensas falhas de natureza informática. Esperamos que o filme não tenha realmente esses erros, mas passar uma cópia digital de má qualidade não deixou de dar muito mau aspecto. A RTP1 anda a sacar files na candonga?... ;)
Canção do momento
They say that you are born death
That in your solemn reverence
no evil words had passed
your innocent ears
But I know that you were a demon
Hoping to torture me till my screams
Were loud enough for you to hear
YOUR FACE, YOUR FACE, YOUR FACE
Guilty of filth I share
in your pleasure
Guilty of filth
No I shan't refuse your bed
The age of innocence
Has abandoned me for a while
And O' the pain you will cause me
Can't compare with the bliss
of knowing your murderous smile
YOUR FACE, YOUR FACE, YOUR FACE
Guilty of filth I share
in your pleasure
Guilty of filth
Neither awake nor alive
in your bosom where I would kill
even myself
for the splendor of YOUR FACE
Guilty of filth
Christian Death, The Loving Face (letra no álbum "Jesus Points the Bone at You?")
sábado, 26 de maio de 2007
Natural born leader

O que gostei e não gostei da semana política e o que não interessa sequer falar nem é mencionado.
Não gostei da entrevista de Helena Roseta. Pareceu-me demasiado vaga, demasiado empenhada em colaborar com os same old same old. Admito que já seja instinto pavloviano e que a senhora até esteja a ser honesta. Mas honesta, na política? Ainda vai ter de fazer muito para o provar. Palavrinhas não chegam.
A sua única sugestão concreta, de abrir um "livro de reclamações" sobre Lisboa, não me parece de uma candidata que conheça a cidade. Mas brincamos? Quer uma reclamação, senhora dona Helena Roseta? Aqui vai:
Lisboa está deserta!!!
Posso dizê-lo porque eu sou das poucas pessoas em idade produtiva e reprodutiva que moram de facto nas freguesias abandonadas da Lisboa antiga e que votam em Lisboa, e não em Sintra, nem em Almada, nem em Odivelas, nem naquela parte dos subúrbios que se estende para leste da Portela e da qual só sei que é mais uma fonte de poluição automobilística na direcção da cidade.
Porque é que Lisboa está deserta?! Porque as casas são demasiado caras. Isto já se sabe há séculos, senhora dona Helena Roseta. Qualquer dia não há quem vote.
A situação é tão grave que nem os gatunos já aqui vêm roubar porque sabem que aqui só moram velhinhos na miséria e imigrantes brasileiros e ucranianos empacotados em quartos de casas podres. (Os chineses ainda não descobri onde moram, se calhar também dormem nas lojas quando os empregados brasileiros vão para os tais quartos.)
O que me leva à campanha de Telmo Correia do CDS-PP. Foi criticado por visitar um lar de velhinhos. Não gostei da crítica. Deve ter sido feita por gente dos subúrbios que não sabe que Lisboa são os velhinhos. Lisboa são os velhinhos que vivem na miséria, de reformas miseráveis de 200 euros ou menos, a viver em casas baratas porque são podres, gente que quase já não se pode mexer, gente que se arrasta para as compras que já não pode carregar, gente que não vai ao Carrefour nem ao Freeport, gente que consumisticamente não interessa, gente que está velha e abandonada. Esta gente é que são os eleitores de Lisboa, da verdadeira Lisboa. O outro enganou-se. Lisboa é que o deserto, e sem aves migratórias. Sobrevivem alguns pombos e pardais às leis selvagens que os condenam à morte graças ao bom coração de boa gente que não obedece à desumanidade.
Lisboa é também a morada dos sem abrigo. Será que votam? Será que ainda se interessam? Duvido. Pouco interessa a quem vive na rua e só pensa na próxima refeição que chega na carrinha da solidariedade. Gente que também não interessa nada. Gente que não tem internet. Será que lêem o Metro? Talvez. É de graça.
Gostei muito da anedota do professor que foi suspenso por proferir quiçá uma graçola contra alguém que tirou um diploma na Farinha Amparo. Fartei-me de rir! O que eu me ri! É ver agora a malta do tempo da ditadura a acordar e a abrir os olhinhos. Destas coisas é que eu gosto.
E no meio de toda esta desgraça, ainda há um político em que eu acredito. Gostei muito da entrevista do Paulo Portas. Gostei da ambição que revelou ao dizer que não quer um partido residual. Pode não o conseguir mas gosto de pessoas ousadas, que não têm medo de fazer má figura, que não têm medo de ir à luta e perder, porque só quem vai à luta é que vence.
Gostei quando Paulo Portas falou na discussão das famílias actuais, quando partiu a louça toda do partido velho e não só prometeu como ao dizê-lo já o estava a abrir. O Bloco de Esquerda que se cuide. Gostei quando Paulo Portas, como ministro da Defesa, acabou de vez com a vergonha do Serviço Militar Obrigatório, a grande bandeira de esquerda que, ironicamente, levou o punho da direita. Mas neste país ao contrário com total inversão de valores nada disto é de estranhar. Quem ainda tem bichinhos residuais dos pós-25 de Abril na cabeça é bom que os sacuda e deixe entrar o ar. O homem pode ser um político, e para se ser um político convêm não dizer toda a verdade e nada mais que a verdade, mas não estou a imaginar Paulo Portas a fazer um exame por fax. É daquelas coisas de anedotas que não passam pela cabeça de ninguém.
Gostei quando ele disse, umas 30 vezes, com uma inteligência de quem sabe o que faz "o José Sócrates já não é o mesmo de há dois anos". Ser o mesmo até é, o asco é que se tornou visível. Estarei a falar demais? Se calhar estou. Lá vou eu para a choldra. É preciso ter cuidado com a língua e a ponta dos dedos. É preciso votar no líder do partido que saiu do 25 de Abril com mais ligações à ditadura para lutar contra a ditadura.
Ainda têm que me provar que o homem não é honesto, porque este, ao contrário dos outros, tem obra feita e meritória, assim como têm os ministros que têm saído do CDS nos últimos tempos e que não precisam da política para o tacho.
Verdade seja dita, há que louvar outros dois homens. Ribeiro e Castro, porque esteve ali firme e digno quando era preciso e soube perder e tem sentido de missão, e, surpreendentemente para mim, Marques Mendes, de quem se diz tanto mal, e a quem tanto se achincalha, e nos últimos tempos tem sido o único gajo com eles no sítio. Isto só prova que as pessoas só valem alguma coisa quando são verdadeiras. É um bocado como os diplomas. Só que as pessoas valem mais.
Paulo Portas, diga-se o que se disser, é um natural born leader e o resto é conversa, homens de palha e papéis tão mal cheirosos como as negociatas que ali estão para tecer.
Não gostei desta notícia:
O número de trabalhadores portugueses em Espanha continua a aumentar, tendo crescido quase quatro por cento entre Janeiro e Abril, para mais de 75 mil, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais, informa a agência Lusa.
O aumento do número de portugueses foi mais elevado do que o aumento total do número de estrangeiros em Espanha, que cresceram cerca de 1,3 por cento atingindo um total de 1.947.908 pessoas. Representam já 12 por cento do número total de imigrantes provenientes da União Europeia (625.454) sendo a segunda maior comunidade da UE depois da Romena (cerca de 187 mil).
Em termos gerais, a comunidade portuguesa é já a quinta, depois das oriundas de Marrocos (276 mil), Equador (269 mil), Roménia (187 mil) e Colômbia (143 mil).
Que isto cale a boca de vez aos que dizem que os imigrantes vêm para cá "fazer o que os portugueses não querem fazer". Mentira de merda. Sempre foi e sempre será. Os portugueses vão para Espanha trabalhar nas obras porque ganham mais ou não arranjam outra coisa. Hoje dizia, um futuro desempregado da Delphi, que via perspectivas de emprego, mas não aqui. Na Espanha.
Escravos vêm de lá para cá, e vão de cá para lá. Acho que foi sempre por isso que me recusei a sair. Escravidão por escravidão, fico em Roma. Como dizia alguém cujos comentários noutro blogue muito prezo: "é a guerra".
Eu estou a fazer a minha. E é por isso que me vou bater ao lado do senhor da fotografia e vou fazer campanha descarada a torto e a direito e sempre que me apetecer sem ganhar nada com isso. Porque ainda há gente decente neste país. Posso não ter esperança, mas tenho ideais. Afinal a esperança não é a última a morrer. Os ideais ficam.
Over and out.
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