segunda-feira, 31 de outubro de 2005

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Tomem lá estatíticas

Portugal é o país da UE com maiores desigualdades sociais

Portugal é o país da União Europeia (UE)onde há mais desigualdade entre ricos e pobres, uma situação que é característica dos Estados em desenvolvimento, adiantam dados revelados este domingo à Agência Lusa pela associação Oikos.


Para assinalar o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, que se assinala na segunda-feira, várias organizações portuguesas vão lançar um apelo para que o país coloque a pobreza e a desigualdade no debate público, deixando de se concentrar apenas na discussão sobre crescimento económico e redução do défice do Estado.

«Portugal é de longe o país da União Europeia (UE) onde os ricos são os mais ricos e os mais pobres são os mais pobres», declarou à Lusa João José Fernandes, responsável do conselho directivo da Oikos - Cooperação e Desenvolvimento.

As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17% do Produto Interno Bruto e 20% dos mais ricos controlam 45,9% do rendimento nacional.

Para João José Fernandes, estes dados mostram que Portugal necessita de uma política redistributiva e de «encarar de frente o problema da desigualdade».

O manifesto que será apresentado na segunda-feira em Lisboa surgiu pela necessidade de denunciar a «apatia da sociedade portuguesa face ao problema da pobreza».

«Todo o discurso político, da comunicação social e da sociedade civil é em relação ao crescimento económico e à redução do défice público. Desta forma só se abrange 80% dos mais ricos, esquecendo dos 20% dos mais pobres», comentou João José Fernandes.

As estatísticas indicam que um em cada cinco portugueses vive no limiar da pobreza.

«Mas a realidade da pobreza é pior. Porque pobreza não é meramente falta de dinheiro, é também falta de acesso às necessidades que conferem dignidade na vida portuguesa», alertou o responsável da Oikos.

Num inquérito recente, 40% das mulheres disse não terem satisfeitas as necessidades básicas, o que demonstra, no entender da Oikos, que «a percepção da pobreza pelos pobres é diferente das estatísticas oficiais».

As organizações que promoveram o manifesto propõem a realização de um grande debate público sobre a pobreza em Portugal.

«Temos tantos debates sobre o Estado da Nação e nunca se refere o problema da pobreza e da desigualdade. A Assembleia da República, aberta à participação dos cidadãos, é um bom fórum para se realizar este debate», sugeriu João José Fernandes.

Diário Digital/ Lusa

16-10-2005 11:41:00

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

More adventures in the middle [of the] earth

I finally got into Mordor.
I joined the forces of the dark army as a disguise to accomplish my mission. Me and other poor recruited comrades soon were taken to a creepy room where it was said we would have something called "training". There appeared Lady Saruman, as I call her, because her tongue was sweet but she was evil as evil can be and she never fooled me. Our mission was to set attack upon the allies of the enemy who were tempted to turn back to the Good Side of the Force (move to the competition). Musn't let that happen was her motto. And to obtain her goal we were put under the orders of an awful little man who I'll call the Obnoxious Little Orc who would whip us senseless and not allow us to go to the bathroom amongst other tortures.
Half of my fellow comrades in misfortune didn't last the first day. Disappeared, they did, and were not to be seen again. Many more were to follow.
I stood to the very end, disheartened as I was, for I have The Burden (I really need the money).
And so it came to pass that after two days, no more, when I arrived to the Room of Torture I was told by some of my few surviving comrades that the project was no longer! Sauron, the Dark Lord himself, had cancelled it. So the army had been sent to attack the cable tv customers instead. That would not suit my plans, and it would not do, not at all!
Lady Saruman and the Obnoxious Little Orc, defeated, were nowhere to be found, but that was not good news to my mission. In their place, there was this gracious young elf who was in charge of the survivors.
I told him I didn't want to join the cable tv army if I had to pay with my life for it.
"But why?", he asked with genuine surprise.
"Well... ermmmm... ermmm....", I looked for words, but the real answer was "I don't even know what cable tv is, you idiot!", so I diverted the subject: "Where is Lady Saruman and the Obnoxious Little Orc? I wish to have a word with them".
He looked most puzzled. Poor young Elf under the spell of the enemy, I see!
"O Elbereth! Gilthoniel! I do not know them! I'm not even sure what I'm doing here. I'm not from this realm at all!", he answered.
There I saw a good opportunity to escape and I indeed I sought it. Now, back home in the cosy Shire I look for other strategies to penetrate in the heart of the enemy. Not that I want to go there but I have not much choice.
Provisions are running short, alas! But I still have beer. I'm saving it for a merry occasion.
Now I must go. Messages have to be sent to all the corners of Mordor telling the enemy they have a willing soldier to enter their ranks of abuse and torture! Make me a slave, oh make me a slave! I need to eat for Elbereth's sake! And look, I have the Ring, I have the Ring! Take me! Take me!

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Outra!

A Reditus/Redware, ofereceu-me, para uma posição de operador de registo de dados, 4h/dia, em horário pós laboral, a significativa quantia de 275 euros/mês a recibos verdes.
Desta vez, tive o maquiavélico prazer de fazer a continha à frente da senhora. O desconto obrigatório para a segurança social, os tais 150 euros.
Em papel quadriculado e tudo, escrevi:

275 - 150 = 125 euros


"Portanto, ganho 125 euros...!", e perguntei: "Todas as vossas ofertas são a recibos verdes?"
Ao que ela disse "sim" e ao que eu disse "boa tarde, minha senhora".


Gotika --- Mostrando o país real que não se vê na televisão

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Um filme: "O turista acidental"




William Hurt faz o papel de Macon Leary, um homem que escreve guias de viagem para pessoas que não gostam de viajar. O lema da colecção é qualquer coisa como "como viajar sem sentir que saiu de casa". Este é também o lema de Macon Leary depois de perder o filho de 12 anos num tiroteio. Como passar pela vida sem sentir. Como passar pela vida como um "turista acidental". Como evitar as situações e as pessoas ou, melhor ainda, como não se deixar envolver por elas.
Apesar do que o filme parece querer transmitir, que no fim o protagonista troca uma reaproximação à sua ex-mulher (Kathleen Turner) pela extravagante Muriel (Geena Davis, na foto) como quem passa a apreciar a viagem em vez de a suportar, um turista acidental é sempre um turista acidental. E não há finais felizes. Só há finais diferentes.

Objectivamente, daria a este filme um 15, mas como sou suspeita e me parece que o filme fala de gente como eu, dou-lhe um 20.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Marco histórico

HOJE, uma empresa de estudos de mercado ofereceu-me, pela tarefa de realizar entrevistas telefónicas cinco horas por dia, de 2ª a 6ª, em horário pós-laboral, a simbólica remuneração de 3,62 euros POR DIA.
Tomando o mês por 20 dias úteis de trabalho, isto dá, ao fim do mês, a interessante remuneração mensal de 72 euros e 40 cêntimos.
A recibos verdes!

Acrescido a este valor, ganharia em média 1 euro por cada entrevista realizada. Uma vez que tenho experiência na função, posso garantir que se tivesse a sorte de realizar uma média de duas entrevistas por hora (10 euros por dia), ganharia ao fim do mesmo mês mais 200 euros.

200 euros mais 72,4 euros dá 272,4 euros.

Um trabalhador a recibos verdes tem de pagar para a segurança social, no mínimo, à volta de 150 euros mensais.
272,4 - 150 = 122,4 euros. Vinte e poucos contos.


Achei que devia não só registar como também partilhar esta experiência, este marco histórico na minha vida pessoal e profissional. Porque é verdade, porque aconteceu. E porque há gente que não sabe que isto é verdade. E também porque há gente que ao ler não vai acreditar. Fica o testemunho.

Our time is beginning to look black


'Always after a defeat and a respite, the Shadow takes another shape and grows again.'
'I wish it need not have happened in my time,' said Frodo.
'So do I,' said Gandalf, 'and so do all who live the see such times. But that's not for them to decide. All we have to decide is what to do with the time that is given us. And already, Frodo, our time is beginning to look black.'

in "The Fellowship of the Ring", JRR Tolkien



Dark all over Europe

in "Black Planet", The Sisters of Mercy



Não o sentem também?