domingo, 16 de outubro de 2005

O país de pernas para o ar - parte II

Mais um post fantástico servido pela taberna do Tapornumporco, que eu vou transcrever na íntegra para a gente mais nova que lê este blog:

Gina – A Verdadeira Trombeta Da Revolução (Gina – Parte 1), por Rodox


Nos dias seguintes à doideira televisiva do pós-25 de Abril, vim para a rua e para a cidade, expectante da novidade e mudança. Afinal e contudo, prós meus olhos de puto de ciclo nada tinha mudado. Ao contrário da Tv, aqui por Coimbra não havia soldados pelas ruas, chaimites nas praças, ou cravos nas lapelas. Os prédios estavam na mesma, as pessoas passavam na mesma a caminho dos empregos e demais destinos, cafés normais, aulas normais, autocarros normais, jornais normais. Ora, porra, mas afinal o que mudou agora que caiu a recém descoberta ditadura e que se vai fazer o homem novo? Frustração total. O “anormal”, o “revolucionário” estavam escondidos na Tv ou em Lisboa, ou então reservados ao mundo adulto. Que se lixe a revolução!, tudo na mesma comá lesma!

De repente, poucos dias a seguir, tropecei na revolução! Nos quiosques e bancas de jornais, apareceram as Ginas. E não eram fechadas, mas abertas e escancaradas. Cenas hard de enrabadelas, esporradelas e canzanas, não a posição, mas mesmo com canzanas enormes e uivantes. A doideira pornográfica explodiu e as Ginas - suprema bandeira e vanguarda -, apareciam agora pelas ruas a fora, com pompa e muita gosma. Viva Revolução! Mas mais, não só a coisa era escancarada, como toda a gente se estava nas tintas para os putos ranhosos, que descaradamente gastavam em Ginas a féria da refeição da cantina e do bilhete de troley!

Foi aí e só aí que me apercebi da mudança revolucionária. Agora sim havia revolução, abertura e liberdade. Pouco depois já se viam os cartazes a anunciar o Último Tango Em Paris e liberdade das liberdades, o Garganta Funda começou a passar no Avenida. Os cartazes de cinema que anunciavam a onda porno eram explícitos e duros. A horda moralista andava de bola baixa e só alguns anos depois é que se começaram a ouvir as primeiras vozes contra o desparrame. Quais cravos, quais chaimites, quais cabeludos, quais carapuças, Gina, meus caros, a Gina é que foi a trombeta anunciadora da revolução e a grande viragem em relação à antiga senhora. Que aderiu ao porno também, vintage, claro!



Ao que eu comentei em baixo:

É pena que a revolução se tenha ficado por aí. Vou até mais longe. A revolução foi isso. Agora já se pode falar de sexo. O português está contente. Siga a marinha. Dêem-lhes pornochachada e Fernando Rocha que o fado já não serve. Fica ainda Fátima e Futebol porque disso eles gostam.


E depois pus-me a pensar. Isto de pensar é perigoso. e isto de escrever é cansativo. Este país estimula a preguiça mental. Tenho sempre essa desculpa.
Por isso é que não fiz um post a dizer isto:

Fátima Felgueiras
Era a isto que eu me referia quando dizia aqui há tempos que o país está de pernas para o ar, em inversão de valores extrema.
Como o disse também aquela jornalista cujo nome não me recordo, no "Prós e Contras", quando contou o caso de os pais inscreverem os filhos na escola como NEs (crianças com Necessidades Especiais, vulgo, atrasados mentais) para terem explicações à borla.
E tudo isto acontece, e tudo isto é triste, e tudo isto é Portugal.

O post do Tapor pôs-me a pensar na Revolução e no facto de nunca ter ouvido como ouço agora, 30 anos depois, "dantes era muito melhor!".
Eu não sei se era melhor. Sei que os valores se deterioraram a ponto de se inverterem. E nisto a Revolução falhou. Se a revolução foi apenas o acesso à pornochachada, a revolução foi um erro de Marcelo Caetano. Era só legalizar a Gina e não tinha o 25 de Abril à porta. A Gina e acabar com a guerra na colónias. Assim ficava o português contente.
Agora dêem-lhe Fernando Rocha, muita caralhada, futebol e Fátima, que o povo está contente. O poder voltou à mão dos mesmos senhores de antigamente e de mais meia dúzia de lacaios que alpinaram pela sociedade acima, o povo está cada vez mais analfabeto (embora saiba juntar as letras, não sabe ler), Portugal já não manda em si próprio (e ainda bem!), a terra não é cultivada nem tratada (mas incenciada), a indústria é estrangeira e está a ir-se embora, e os primeiros ministros Emigram (com E!).

Alguém me sabe dizer quais eram as coisas positivas do outro regime? Começo a interessar-me. Porque será?
Agora chamem-me fascista. Mas não é de estranhar. O país está de pernas para o ar. Quem quer a mudança é, de facto, um reaccionário. Portanto, neste momento, eu sou uma reaccionária.
E sei que apenas os mais velhos vão perceber o que eu quero dizer com isto.
É que eu não sou reaccionária. Eu sou a resistência. E actualmente a resistência revê-se nos ideais de uma certa direita. Eis a ironia da coisa.
E temos o país de pernas para o ar.

"O Senhor dos Anéis", de J.R.R. Tolkien

Para os não iniciados, dos quais até há cerca de um ano eu fazia parte, "The Lord of the Rings" é uma trilogia composta por "The Fellowship of the Ring", "The Two Towers" e "The Return of the King". Ler a obra completa é uma aventura com consequências. Não me admira que tanta gente tenha ficado "sob o poder do Anel", como eu lhe chamo.
Para começar, não concordo nada que a obra seja uma trilogia. Cada um dos três livros não faz sentido sem o antecessor. Esta é uma obra completa, com um princípio, meio e fim, independentemente do seu tamanho.
(Custa-me a perceber como é que os três livros originaram três filmes se toda a história poderia ser condensada num só, e com muito mais efeito, na minha opinião. Ainda não vi os filmes porque gosto de ler os livros primeiro. Neste caso, pelo que já me disseram dos filmes, fiz muito bem porque a história foi corrompida. Mas que venham os filmes! Veremos.)
A primeira parte de "The Fellowship of the Ring" não é fácil de ler. Em bom português, é uma grande seca. Aproveito também para enfatisar que a leitura da obra sem a ajuda dos mapas se torna ainda mais difícil. Muitas vezes a localização é essencial para compreender a história e todos nós sabemos como certas descrições podem ser aborrecidas. Tolkien não foge à regra. Um ponto em seu desfavor. Nem toda a gente está interessada em decorar todos os lugares e lugarejos da Terra Média.
A história só começa mesmo a interessar quando dá lugar à acção. Porque se trata de um épico, nada mais nada menos, em que a componente psicólogica dos personagens tem de ser adivinhada porque não nos é servida pelo autor.
Tolkien usa velhas lendas como Sigfried e o anel dos Nibelungos e Artur e a sua espada Excalibur. Velhos arquétipos postos em movimento numa história que, por isto mesmo, perde em originalidade o que ganha em perspectiva. E isto tem a ver com o motivo que "aquece" o primeiro livro: a importância do Anel do Power.

One Ring to rule them all,
One Ring to find them,
One Ring to bring them all
and in the darkness bind them.


Às palavras "One Ring to rule them all" percebe-se toda a história da trilogia e a razão de ser do "Senhor dos Anéis". Um só Anel tem o poder (mágico?...) de prostrar todos os seres aos pés de um só senhor. Ao mesmo tempo, quem possui o Anel é mais ou menos depressa corrompido pelo seu poder maléfico. A razão de ser desta "maldição" nunca é explicada mas é simples de compreender. O poder absoluto corrompe absolutamente. "Se queres conhecer o vilão, põe-lhe o pau na mão". Neste caso, o Anel. O próprio Frodo, no fim dos fins, é corrompido pelo poder do Anel. Corrompido para sempre e para sempre angustiado pela escuridão do poder que recaíu sobre ele. O livro fala de um "fardo" (burden), e esse fardo é a responsabilidade que recai sobre quem tem o poder. Uma boa consciência sente-se afligida pelo impacto da sua acção nos outros; uma má consciência não pensa duas vezes. Sobre a primeira, paira a escuridão; sobre a segunda reina a escuridão.


"We must do without hope"

A escuridão é também a essência do Inimigo. A história desenvolve-se num clima de terror em que a ausência de esperança está sempre presente. Uma das minhas linhas preferidas:

"Alas! I fear we cannot stay here any longer," said Aragorn. He looked towards the mountains and held up his sword. "Farewell, Gandalf!" he cried. "Did I not say to you: if you pass the doors of Moria, beware? Alas that I spoke true! What hope have we without you?"
He turned to the Company. "We must do without hope," he said. "At least we may yet be avenged. Let us gird ourselves and weep no more! Come! We have a long road, and much to do."


Trata-se de uma luta desesperada até ao último fôlego e contra todas as probabilidades. Uma luta só vencida pelo poder da inteligência contra hordas e hordas de inimigos. E, periclitantemente, os protectores do Anel não podem fazer outra coisa senão resistir pois se não resistirem morrerão, e se resistirem morrerão também. Entre a morte e a morte, é uma questão de escolher como se morre. E é todo este enredo de perigo iminente que mantém o leitor preso à história.

Outra das minhas passagens preferidas:

`And we shouldn't be here at all, if we'd known more about it before we started. But I suppose it's often that way. The brave things in the old tales and songs, Mr. Frodo: adventures, as I used to call them. I used to think that they were things the wonderful folk of the stories went out and looked for, because they wanted them, because they were exciting and life was a bit dull, a kind of a sport, as you might say. But that's not the way of it with the tales that really mattered, or the ones that stay in the mind. Folk seem to have been just landed in them, usually – their paths were laid that way, as you put it. But I expect they had lots of chances, like us, of turning back, only they didn't. And if they had, we shouldn't know, because they'd have been forgotten. We hear about those as just went on – and not all to a good end, mind you; at least not to what folk inside a story and not outside it call a good end. You know, coming home, and finding things all right, though not quite the same – like old Mr Bilbo. But those aren't always the best tales to hear, though they may be the best tales to get landed in! I wonder what sort of a tale we've fallen into? '
`I wonder,' said Frodo. 'But I don't know. And that's the way of a real tale. Take any one that you're fond of. You may know, or guess, what kind of a tale it is, happy-ending or sad-ending, but the people in it don't know. And you don't want them to.'
'No, sir, of course not. Beren now, he never thought he was going to get that Silmaril from the Iron Crown in Thangorodrim, and yet he did, and that was a worse place and a blacker danger than ours. But that's a long tale, of course, and goes on past the happiness and into grief and beyond it – and the Silmaril went on and came to Eärendil. And why, sir, I never thought of that before! We've got – you've got some of the light of it in that star-glass that the Lady gave you! Why, to think of it, we're in the same tale still! It's going on. Don't the great tales never end? '
'No, they never end as tales,' said Frodo. `But the people in them come, and go when their part's ended. Our part will end later – or sooner.'




Mordor, o Inimigo
A história foi escrita após a segunda guerra mundial. Tolkien sempre negou que o Inimigo fosse uma metáfora da Alemanha nazi. Mas nega em vão, porque é evidente que o é. Consciente ou inscientemente, Tolkien retratou o horror do avanço militar das forças do Reich e o esforço conjunto dos Aliados quando a democracia parecia para sempre perdida. Em Mordor, o reino do inimigo, nada cresce, nada vive, tudo está envenenado.
E por coinciência, se eu acreditasse em coincidências, numa recente série de dois episódios que retrata a vida de Anne Frank, esta está num campo de concentração quando diz à sua irmã Margot: "Ouve, pássaros! Não se ouviam pássaros em Birkenau. Nada vive em Birkenau. Só corvos e abutres."
Mordor, onde nada cresce, onde tudo está envenenado.
E tudo isto se perdeu mais ou menos da consciência colectiva da humanidade. Será que se perdeu mesmo? Será que como nos reinos não afectados directamente pelo poder do Inimigo, as pessoas continuam a fazer a sua vida como se nada se tivesse passado quando os Viajantes regressam a casa?

E foi isto o que mais me tocou em toda a história. O final. Porque quando Frodo regressa ao Shire, corrompido, doente e destruído para sempre, ele a quem coube a tarefa de salvar o mundo sem a ter pedido, encontra destruição e tirania na sua própria casa e tem de lutar mais uma vez como se tudo o que fizera não valesse de nada. E nos anos seguintes, na sua própria terra, Frodo nunca é reconhecido como um verdadeiro herói. A sua coragem e determinação, o seu sacrifício, entre os seus pares são vistos como actos longíquos e de pouca importância. Frodo já não pertence ao seu mundo de gente pequenina e é obrigado a retirar-se para sempre para o mundo nebuloso das lendas. Ninguém é profeta na sua terra, diz-se.

Eis a moral da história. A homens nobres cabe o sacrifício, mas em último caso este sacrifício não é desprovido de egoísmo. Porque para salvar a pele salvam-se os outros por arrasto, mesmo quando estes não agradecem ou não têm o discernimento de perceber o que foi feito por eles.
E é por não ser uma história de heróis predestinados, mas de um conjunto de hobbits arrastados para circunstâncias inimagináveis que os obrigam a lutar contra poderes infinitamente superiores, que eu gosto do "Senhor dos Anéis".
Durante o épico, no entanto, é subentendido que nada aconteceu por acaso, mas nada também é prova do contrário.
Frodo é qualquer um de nós.

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Aviso importante

Caros leitores,

para se registarem no fórum http://s13.invisionfree.com/GotikaBlog/, é necessário que se registem com um email válido. Válido significa que existe realmente e que funcione. ;)
Depois de se registarem, receberão um email de confirmação a que deverão responder, seguindo as instruções.

De outro modo, o registo não será aceite.
Se tiverem dúvidas ou não conseguirem registar-se, podem contactar-me para gotikablog@hotmail.com.

O fórum http://s13.invisionfree.com/GotikaBlog/ destina-se à discussão de todos os assuntos da actualidade e está aberto a todos os leitores deste blog.
É possível, no entanto, que a maioria dos temas incida sobre a (sub)cultura e a música gótica.

Espero encontrar-vos lá.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Autárquicas

(Olho para o relógio. Ainda se pode, não pode? Pode. Mesmo que não pudesse, fazia-se batota na hora do Blogger e passava a poder. Se há algo em que um bom português é especialista é em aldrabar o sistema. O que vem mesmo a propósito das autárquicas.)

Ora aqui em Lisboa os candidatos não entusiasmam. Até ao debate na RPT1 não tinha ideia das propostas de cada candidato... e depois do debate também não.
Pensar que um túnel vai resolver o problema do trânsito em Lisboa e perder meia hora (não sei ao certo, perdi o interesse e andei a fazer coisas mais apelativas na internet) a discutir isso... ò meus amigos, ide passear.
Lisboa à noite está deserta. Há meia dúzia de moradores no Rossio e deitam-se às 9 da noite. Tirando os sem abrigo, que dormem nas estações de comboio e de metro.
Uma casa (leia-se "andar") de madeira, cheia de baratas e ratos e aranhas, sem casa de banho excepto uma pia (com sorte, das antigas, aquelas redondas com o buraco no meio) e tomando banho de alguidar, num bairro histórico como Alfama, Graça, Castelo, Mouraria, da época pós-terremoto do Marquês de Pombal, é alugada pelo disparate de 300 a 500 euros. Daqui para cima nem quero imaginar.
O que Maria José Nogueira Pinto (CDS-PP) disse a este respeito é um facto indiscutível: criaram-se em Lisboa guetos de ricos e guetos de pobres. (Adivinham a qual gueto pertenço?) Destes guetos de pobres, os dos bairros históricos são constituídos por idosos cuja família já desapareceu para os subúrbios. As casas estão a cair e os senhorios não arranjam. Os senhorios não arranjam porque as rendas são baratas. As rendas são baratas porque estiveram congeladas durante anos e agora continuam baixas porque reformados e pensionistas com 200 ou 300 euros de reforma ou pensão não podem pagar os tais 300 euros que o vizinho brasileiro imigrante paga por mês por uma casa nas mesmas condições onde dormem meia dúzia de pessoas em colchões ou esteiras no chão numa assoalhada onde não viveriam em decência um casal e seu único filho.
Isto a Maria José Nogueira Pinto não disse, porque não sabe. Isto digo eu. Lisboa não se tornou favela. A favela é que chegou a Lisboa. Aí, meu chapa!
E quem diz brasileiros diz africanos e emigrantes de Leste. É nas casas mais baratas dos bairros pobres e históricos de Lisboa que se alojam às dezenas numa casa sem condições, desde que paguem os tais 300/500 euros. Não há fiscalização. O Recria só actuou quando e onde os senhorios pediram.
E até agora ainda ninguém teve tomates para resolver a situação senhorios/inquilinos. Essa é que é essa. E também não me parece que agora alguém os vá ter. Devem estar à espera que os velhos morram. Tendo em conta que muitos velhos duram até aos noventa e tal anos, isto dá ainda uns bons vinte anos até a situação ficar resolvida. Digo eu que conheço a situação de perto.
O que disse Maria José Nogueira Pinto faz sentido. Não é trazer jovens para Lisboa, mas sim a classe média activa, pais e filhos, aqueles que moram na linha de Sintra, Carregado (Carregado!!!), Loures (!!!) e toda a margem sul até Setúbal. Aqueles que entopem e continuarão diariamente a entopir todos os túneis que foram e forem abertos até agora e no futuro. Trazer essa gente para perto do trabalho e pô-los a usar os transportes públicos. Tirar os milhares de carros do congestionamento para os autocarros não passarem de meia em meia hora. (Eu já assisti a situações em que de carro também não se andava, então para que serve o carro? Para gastar gasolina?... Para poluir a atmosfera?...)
Fiquei com vontade de votar na senhora, mas não sei se a criatura terá algum tipo de imunidade anti-lobby. Seja como for, visto que o povão vota PS ou PSD, o meu voto não conta muito e vou votar na senhora por solidariedade feminina.
Quanto à minha junta de freguesia, que é comunista, por mim continuará a sê-lo. Não há local que eu conheça onde a junta seja comunista que os moradores não estejam satisfeitos. Pelo menos não temos felgueirices.
E assim vai o meu voto, à extrema esquerda e à extrema direita, tirando o Bloco de Esquerda porque já não os suporto.
Os do meio, para mim, estão cortados. Não existem. Venham outros.

terça-feira, 4 de outubro de 2005

My adventures in the middle [of the] earth

Esta só lá vai em inglês, que me perdoem os puristas.


So, after I had gone to bed at the godly hour of 8am, I had been asleep by two hours only when my cell phone rang. It was a human resources company calling me for a job I had applied. An interview was appointed and soon I realised I couldn't go back to sleep.
So I realised it is impossible to carry on pretending to be thrilled about a job I don't even care about, not without some fantasy. It is a war, and it shall be led that way. Don't I carry a burden heavier than any Ring of Power? (More like a Ring of Slavery it seems to me.) So I got prepared in less than an hour and faced my gloomy fate that I had to leave the quietness of my protected little Shire and travel all the way to the darkness of Mordor. Mordor?! No. Mordor is hell. Mordor is work. To Minas Tirith! Minas Tirith? No? For it is a battle and this would be more like the council at Rivendell.
Aye, to Revendell it is!
The journey up those faraway lands was long and hard. The bus bumped more violently than a lame Shadowfax on heat.
Yet, I stood, and on to Rivendell, the council awaits!
In there, strange people that I reckon to be elven or orc-kindred (for human they were likely not!) of the human resources who were supposed to decide about my competence realised they had only printed the first page of my resume, therefore, not knowing of my past wondrous feats and deeds, dare I say, hardly knowing who I was at all and hardly recognising the whole purpose of my errand into their kingdom.
This is why, reader, I wearily made the journey back, on my horny Shadowfaxed bus, to come home and return to this virtual realm were I was bound to mail said resume to said creature who has to decide about my competence. (Perhaps we should use the magic of crystal balls instead since mail magic is not what people of that kingdom feel more comfortable with?... I shall ask for counsel on this, if indeed I ever return so far north. I don't think I will.)
So a warrior goes away to battle when a warrior must, and a warrior sleeps when a warrior can.
This said, I will have the aid of two magic pills (or more) to reenter the realm of Morpheus, whose arms, I fear, I shouldn't have left in the first place.
And this song will soon be forgotten in the Shire for this is no tale to tell except of the menacing shadow disturbing my already so fucked up sleeping patterns.

I could also tell you about how I was chased by evil trolls, servants of the Enemy of the IRS, that have a price upon my head but now is not the time. Must make haste! You'll have to buy the second book.

Carpe Diem

Na caixa de comentários do post abaixo, o Agnóstico deixou-me um dos melhores elogios que já recebi desde... bem, desde o último.

Dás um novo, ou muito mais genuíno, sentido ao "Carpe Diem".


Obrigada.
Eu tento. Não é sem esforço, acredita. Poucos são os que se atrevem a viver como querem, e os que o fazem, como eu, pagam um preço muito elevado.

sábado, 1 de outubro de 2005

Das almas gémeas

Enquanto alguns de nós procuram no outro o seu oposto, outros procuram uma alma o mais gémea possível. Quase uma reflecção no espelho, o mais próxima possível.
Penso que não é narcisismo. Penso que é uma característica das pessoas, igual a muitas outras características como gostar de louras ou gostar de morenas.
Há pessoas e pessoas. Algumas procuram o diferente, outras o igual.
Muitas pessoas não percebem isso e passam a vida a forçar o que gosta do igual a gostar do diferente, e vice versa. Outras há, também, que não percebem isto, e tentam desesperadamente adaptar-se ao diferente ou ao igual quando só podem ser felizes com o igual ou o diferente.
Esta é uma grande causa de amores não correspondidos, se não a maior de todas.