terça-feira, 28 de junho de 2005

Não me sinto sozinha. Sozinha seria dizer pouco. Sinto-me abandonada, esquecida, sem valor, inútil.
Algo que a sociedade adoraria fazer desaparecer do seu meio.
E hoje até acontece que os meus pensamentos coincidem com os deles.

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Adrian Alexis


Adrian Alexis
Come Away Come Away

As I sat in the glooming
I heard a voice say
"Weep not, sigh no more
Come away, come away"
It was dusk at the window
From down in the street
no rumble of cars came
no passing of feet
I sat very still
Too frightened to play
And again the voice called to me
"Come away, come away"

Darker, darker it grew
the stars came out and the moon
shone clear through the glass
I had time to pass
I listened and I listened
but not more would it say
the voice that called to me
"Come away, come away"


Vou deixar de ser egoísta e partilhar a descoberta. Devorem-na!
http://www.icehouse.net/alexis/

sexta-feira, 24 de junho de 2005

Do que este blog precisa é de SEXO

Absolutamente pondo de parte merdas que não interessam mais ser abordadas, porque o que não tem remédio remediado está, vou mudar de assunto.
Já chegaram àquela fase de pensar que nunca mais vão sentir desejo por ninguém? (Não pergunto aos mais novos porque obviamente a resposta é "não": as hormonas falam mais alto. Esta pergunta é sobretudo dirigida aos mais velhos.)
Quando eu penso que não, que as chaves para o meu desejo estão irremediavelmente perdidas, eis que aparece uma criatura excepcional que me dá a volta à cabeça. E ao resto também.
Vamos lá ver, eu sou bissexual. Pode ser um homem ou uma mulher. Mas ultimamente têm sido elas a provar-me que afinal há "esperança".

No domingo fui à praia com a minha mãe. Até era para ir no sábado mas só consegui levantar-me às 5 da tarde. Adiante. Estava eu na praia quando reparei na criatura à minha frente. A princípio não consegui perceber se era homem ou mulher. Era de tal modo andrógina. Ombros relativamente largos, costas direitas, coluna saliente, cabelos compridos e ondulados apanhados num rabo de cavalo... Apesar de estar em top less (como eu), os seios eram tão pequenos que colocavam a dúvida. Mas o rosto!... O rosto era de um anjo de Boticelli. E usava óculos escuros como eu.
E sabem que mais? Tinha calças battle wear. Forte como um soldado em tronco nu. Alta como eu. Forte como eu. Sexy como eu. Descontraída como eu. O mundo era dela, como é meu.
Caramba eu podia amar aquela mulher! Raramente encontramos, como se diz em inglês, "a match". Não posso pensar em melhor expressão.
Ironia das ironias, também estava acompanhada de uma mulher mais velha, possivelmente a mãe ou a tia ou a avó. Porquê? Porque "a match" não se encontra todos os dias.
Reparei que ela tinha sinais nas costas brancas. Eu podia beijá-los um por um. Eu podia pôr-lhes nomes.
Eu não queria mudar nada. Eu queria o que estava a ver. Isso, sim, é raro.

Depois percebi que era espanhola. E foi-se. Para sempre.
É a tempera. Caramba!

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Se vais começar com conversas dessas eu vou-me embora. Que nojo!*

Sim, vai, miúda, isto não é para a tua idade. Estás a fazer um trabalho excelente. Mas isto não é para a tua idade.




*A voz em itálico é a minha criança interior. Não façam caso que é pequenina. É muito inteligente mais ainda não atingiu a puberdade.

Orgulho

Tenho de admitir que o post anterior é o melhor post que eu já li na blogosfera.

E fui eu que fiz.

quinta-feira, 23 de junho de 2005

País de merda.

País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda. País de merda.

Diário de um night owl - última entrada

CASO ENCERRADO

75 euros

Para o menino que uma vez me perguntou "O qaue tens a perder em ir ao médico?" (aliás, para os meninoS:)

75 euros!!!



Ontem fui a um neurologista especialista em distúrbios do sono. Estava bem informado e conhecia o DSPS (Delayed Sleep Phase Syndrome), a que chamava "atraso de fase", (muito bem, sabe do que fala), e penso que percebeu a seriedade do meu caso. Disse-lhe que de facto ando a tomar melatonina e, apesar de ter tomado, antes de ontem, 7mgs (que é muito, mesmo muito!), não faz efeito.
Eis o tratamento:
"Deixe de tomar comprimidos para dormir, deixe de tomar tudo. Tem que ser normal. Deite-se cedo e levante-se cedo."

Por momentos, ali, estive para desatar a chorar ou desatar a rir. Não sabia bem. Mas mantive-me séria.

"Se eu conseguisse fazer isso com a minha força de vontade, não estava aqui." (75 euros, porra, vai roubar para a estrada!)

"Mas eu não tenho pílulas mágicas, nem soluções, nem sou a Senhora de Fátima, não faço milagres".

"Então estou lixada.", disse-lhe.

Basicamente, o que ele me disse: não pode fazer nada. A única coisa que pôde fazer foi cobrar a consulta. O que eu nem sequer acho ético. E não beneficia nada a ideia negativa que eu já tenho dos médicos em geral, psicólogos, psiquiatras e neurologistas em particular (mas os outros também não são melhores).
Nem quis experimentar um tratamento. Nem quis pedir exames. Só quis o cheque.
Fantástico. É isso mesmo que eu preciso.

Então, não há ajuda. Então vai ser assim: lavo as minhas mãos. Pedi ajuda a quem podia ajudar-me. Se não há ajuda, estou entregue a mim mesma. Então, o meu estilo, as minhas regras.
Acabou-se o sentimento de culpa. Falei com o meu patrão e disse-lhe como era. Há dias em que vou conseguir, há dias em que não vou conseguir. Vai haver dias melhores e dias piores. É assim e não há volta a dar-lhe.
Ele aceitou.

Mas já não me importo. É uma guerra. Não vou fazer um inimigo de mim própria, era só o que faltava, como se este mundo cão não estivesse cheio de gente com ganas de me enterrar viva. É uma guerra.

Ontem estava naquela nebulosidade incrédula do que tinha ouvido. Hoje sinto-me abandonada, revoltada, furiosa. Sempre que precisei de ajuda nunca pude contar com a sociedade, nunca! Já não digo o mesmo dos amigos que estão sempre (ou quase) disponíveis para me ajudar. Aliás, neste país, quem não tiver amigos está fodido.

Façam amigos! De preferência amigos ricos! Ou morram!



Gostava de poder imigrar mas com as merdas de saúde que tenho nem me atrevo. Então vou ficar por aqui, a seguir o exemplo do que dizia nos comboios da CP há uns anos atrás: "Esta carruagem é sua. Destrua a sua parte."

Estou tão revoltada! Tão revoltada!
Talvez amanhã me sinta melhor. Pelo menos agora sei exactamente com o que posso contar. Ou melhor, com o que não posso contar. E que os comprimidos para dormir são o melhor milagre que já inventaram. A melatonina faz enxaquecas (e não funciona no meu cérebro, azar).

Para aquelas pessoas que me contactaram com os mesmos problemas de sono, se não sabem ainda eu tenho um grupo no MSN:

http://groups.msn.com/GotikaBlog

Podem sempre tornar-se membros para podermos trocar impressões e tácticas de guerrilha. Não fiquem à espera de ajuda. Não vai haver ajuda. É cada um por si.

Agora percebo que estou a ficar farta. Odeio este país. Odeio MESMO este país. E odeio os parasitas que nele e dele vivem. Tudo o que vejo são os resultados de um país estrangulado.

Estou mesmo furiosa!