sábado, 19 de fevereiro de 2005

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Os meus amigos e os inimigos deles

Ou... porque passo o fim de ano sozinha a maior parte das vezes.

Veio uma recente situação recordar-me do que dá ter amigos muitos diferentes uns dos outros.
Passo a explicar. Quando alguém tem diversos interesses na vida, e mesmo quando esses interesses parecem incompatíveis entre si, acontece que uma pessoa se move em diversos círculos do mundo, às vezes até mesmo entre classes sociais.
Desses contactos, aparecem inevitáveis amizades com quem se partilha do interesse comum. E até aqui tudo bem.
A porca torce o rabo quando, por alturas de festarola, uma destas criaturas de interesss diversos (para não dizer eu) decide juntar os amigos. E aí percebo - aliás, já percebi há muitos anos - que estes só têm uma coisa em comum, que é o facto de conhecerem determinada pessoa (para não dizer eu).
Certo ano, tive mesmo o dilema de escolher entre dois grupos.
À medida que os anos passam, os grupos com que me relaciono vão-se tornando cada vez mais numerosos e a variedade de amigos incompatíveis aumenta exponencialmente.
Isto é apenas uma constatação. Algo que acontece. Alguns de nós têm um grupo e pertencem a esse grupo durante toda a vida. Outros, dispersam-se. Eu sou dos que se dispersam.

Vem isto a propósito... Não, deixá-lo. Era só para dizer que estou habituada ao fenómeno e que o lamento e que o compreendo mas que nada posso - ou melhor, quero - fazer contra ele.

Eh bien. Como diria o vampiro Lestat, esse poço de sabedoria.

Porque me lêem, leitores?

Vem isto a propósito do comentário do Klatuu que... Esqueçam. Se não leram, não leiam. Não vos quero influenciar.
Gostava que me dissessem porque me lêem.
Esta pergunta, curiosamente, já foi feita há tempos noutro blog que eu frequento (e também não vou dizer qual para também não vos influenciar) e lamento que tenha dado uma resposta perfeitamente a despachar. Ainda não estava na fase filosófica que me tem atacado nos últimos tempos.
Digam, mas não façam como eu. Digam-no de forma inteligente.

Porque vêm aqui?

Your Seduction Style





Your Seduction Style: The Charismatic





You're beyond seductive, you're downright magnetic!
You life live and approach seduction on a grand scale.
You have an inner self confidence and energy that most people lack
It's these talents that make you seem extraordinary - and you truly are!


terça-feira, 15 de fevereiro de 2005

O dilema

O que fazer? Se o PP tiver uma votação mais expressiva, a coligação continua no poder.
Segundo a última sondagem de que tenho conhecimento,


Admitindo que os quase 7% de inquiridos não irão votar, a distribuição dos votos seria a seguinte: PS – 44,5%, PSD – 31,3%, CDS-PP – 7,4%, CDU – 6,9% e BE – 6,4%.


Muito pouca margem de manobra para votar com o coração em vez de votar com a cabeça. Não quero a responsabilidade de eleger Santana Lopes e de o manter como primeiro ministro. Mesmo que isso signifique ter de votar (contra a vontade) numa opção em que não acredito mas em que, mesmo assim, acredito mais do que a opção actual. A única opção é votar PS.
Os votos emocionais podem ficar para a próxima. Existiu um factor de azar para Paulo Portas que foi o facto de Durão Barroso ter abandonado o governo antes de tempo e deixar o partido abandonado à solução em que os portugueses não votaram. Má hora para o PP.
Em caso de dúvida, não vou votar em quem quero mas contra quem não quero.
Vou ficar à espera das sondagens. Até domingo é vindima.

O debate
1) Fez-se sentir a falta da voz da CDU. Um infortúnio assim o ditou e Jerónimo de Sousa ficou afónico. É pena mas é destas coisas que se faz a História.
2) Santana Lopes é um homem humano. Ninguém o nega. Simplesmente não tem a mínima capacidade para ser primeiro ministro. Não há pior defeito do que não ser capaz de se ver ao espelho.
3) Sócrates... A incógnita a que a maioria dos portugueses quer entregar o país. Terá capacidade, não terá? Ainda não vi a prova, nem por palavras nem por actos. Há algo de trágico e fatalista nesta tendência portuguesa de votar no Mistério.
4) O Bloco de Esquerda deu um passo maior que as pernas e nem acredita no que lhe aconteceu. Sobressaindo do meio da mediocridade, teve o destino que era suposto, ser projectado para a governação, mas esse nunca foi o objectivo e de repente todas as fragilidades da utopia se revelam na sua impossibilidade. É agora um partido à espera de uma redefinição.
5) Paulo Portas é o homem certo no partido errado. Apesar das suas ambições é-lhe impossível, até por hábito de voto dos portugueses, chegar a primeiro ministro à frente do CDS-PP. O partido está demasiado conotado com a ditadura embora essa identificação automática se tenha tornado injusta e o partido se tenha renovado de tal maneira que um dos seus fundadores, Freitas do Amaral, aconselha o voto no PS. Prova de que tudo muda e, nos dias de hoje, tudo muda muito depressa.

sábado, 12 de fevereiro de 2005

Estranhos

Já não condeno as pessoas por não me compreenderem. Esse tempo já passou. Às vezes gostava que não tentassem compreender porque não acertam, e isso perturba-me. Tem-me perturbado muito nos últimos tempos. Não me refiro ao blog. Refiro-me a pessoas que me conhecem e tinham obrigação de me conhecer - e não conhecem. Porquê? Porque não me conhecem? Se sabem tudo sobre mim, porque não me conhecem? Será desinteresse, será preguiça? Será culpa minha? Muito provavelmente.
O que é que eu tenho de tão secreto? Falarei demais? Impedirei as pessoas de fazerem perguntas? Ou será apenas aquela sensação tão bem conhecida da infância, em que havia aquela distância entre mim e as outras crianças e os adultos eram demasiado crescidos? Aquela sensação familiar de ser muito crescida para a idade e de ter pouca idade para os crescidos?
Continuarei a ser invejada pelos mais novos por ser admirada pelos mais velhos? Como por ter "muito bom" na redacção da 4ª classe?
Mas não percebem como estou perdida no meio, e sozinha? Não, "sozinha" é uma palavra demasiado banalizada. "Isolada" é mais o caso.
Lembro-me que na adolescência tentei explicar aos da minha idade exactamente o que se passava, e o que sentia, mas verifiquei que a falta de experiências não os deixava perceber. Hoje algumas pessoas chegam ao sítio onde eu estive há 10 anos e dizem-me "Vê lá, estou aqui". E eu digo: "Também estive aí". Depois descrevo o lugar.
Depois percebem que "estou além". O que não percebem é que também estou "aquém" de qualquer lugar.
Fiquei perdida. Entre mundos.

Porco à moda do Goldmundo

Porque não é toda a gente que consegue escrever assim e que de facto assim o escreve, aqui fica a transcrição, por sua vez já transcrita no blog homenageado, do que se escreveu na Ribeira Negra a propósito do Tapornumporco.

Tapor

Devo ao nome improvável de Aloïsio Montoya (com quem polemizei amargamente em Paris no rescaldo da segundo colóquio Sternberg sobre os desaparecidos manuscritos warburguianos) a última zanga com a inquieta Isabel Torrijo, e o primeiro encontro com a minha obsessão pelos espelhos quebrados de Coimbra. Cismava o sábio de Siracusa (tive nas mãos a edição veneziana da sua Hepteromachia Philoctaica, na obscura loja de Sesimbra a que me atraíra um vistoso e inútil catálogo de José Cebola) que huius in adventum iam nunc et Caspia regna responsis horrent divum, e no entanto nunca vislumbrei tão nitidamente o horror do familiar conceito de biblioteca como naquela tarde em que, procurando sonolentamente na net não sei que versos esquecidos do gongórico Canotillo - talvez o sublime soneto Se tu, magra Heritrópia, sempre foste - encontrei a denominação obscena do impostor repetidamente associada a um blog coimbrão que se murmurava ser mantido por muitos para ser, apenas, as faces incompletas do Único.



Desviei-me por um instante - nunca o lamentarei o suficiente - da doce música do autor da Cariátide Justíssima para contemplar a ligação que o acaso permitira ao plagiador de von Sttautfeld para com a desconhecida sigla TAPOR. Recordo-me, como num sonho, de percorrer textos impossíveis assinados por Dervixe (julguei reconhecer o estilo do meu amigo Luciano de Freitas) e comentários de Mangas que apenas pareceriam espontâneos a quem não conhecesse profundamente as catorze regras que sustentam o I Ching. Recuei perante o gnóstico cinismo de Manolete. Assombrei-me junto às imagens barrocas de Mefistófeles. Lembrei-me então de que, na terceira conjunção dos mistérios órficos, TAPOR era o nome secreto do deus estilhaçado, pronunciado apenas pela boca da mais jovem das sacerdotisas. (.......................)



Em Nova Delhi, num Setembro feito de nevoeiro e de remorsos, quis vislumbrar a esguia silhueta de Automotora. Garantiram-me nesse ano, em Buenos Aires, que o neto de Pedro Hernandez fora desafiado por Grunfo no coração do Barrio Limpio, depois de uma noite ineteira de jogo e de complacência. A própria Isabel Torrijo (....................)



A simplicidade é a marca maior do labirinto, o inacabado a marca das mãos unicamente humanas. Com as mesmas letras de TAPOR tu dizes TRAPO e TROPA, e com isso o infeliz Humberto Segovia morreu acreditando que encontrara Coimbra, quando afinal só cruzara a insidiosa Toledo. A palavra PARTO evocava desagradáveis reminiscências a Leopoldo Fugavilla, e o chileno desistiu da busca a um passo do que poderia ter sido a nossa glória e a sua maldição. Coube-me a mim, humilde funcionário da Segunda Repartición de Pesos y Medidas da Provincia de Guardanapos, adivinhar a verdade escondida na PORTA férrea. Nos trinta anos seguintes continuei a carimbar os sobrescritos e a copiar diligentemente os relatórios quotidianos de Laura Tyniosa. Pesa-me agora, que vou morrer, não partilhar o segredo dos espelhos. Compreendi o TAPOR, e quem sabe tu poderás (...............)

Posted by: Goldmundo