março 25, 2004
O teste da vida
Este fizeram-mo há muito tempo e não sei se agora responderia da mesma forma. Acho que sim, mas não tenho a certeza. Isto para vos mostrar que não se faz de ânimo leve. É um teste muito interessante porque puxa pela nossa capacidade de interpretação de acordo com o que vai no nosso inconsciente. É mesmo um teste mais psicológico de auto-conhecimento do que outra coisa. E como tal, subjectivo. Mas eu gostei muito e vou aqui reproduzi-lo para que outros possam tirar dele o mesmo prazer e ao mesmo tempo aprendam sobre eles próprios.
Primeiro vou pôr as perguntas, com espaços para que possam pensar nas respostas. Aconselho-vos a parar e meditar muito bem naquilo que vocês fariam. Afinal, este teste não tem pontuação. Não é para mostrar que são bons nisto ou naquilo, é apenas para se conhecerem melhor.
Depois, vou dizer o que eu respondi, e que eu acho que ainda responderia.
Então, vamos lá...
Estás a passear por uma floresta. Descreve a floresta.
Pelo caminho, encontras um pote cheio de moedas de ouro. O que fazes?
Mais à frente, encontras uma casa desabitada. Descreve a casa. Tentas lá entrar?
Depois da casa, encontras um cavalo na floresta. Tens medo dele? O que fazes? Aproximas-te? Tentas montá-lo?
Continuas o teu passeio. Encontras um lago no caminho. Descreve o lago. O que fazes? Entras nele?
Por fim, o teu passeio acaba com um alto muro que se ergue diante de ti. Voltas para trás, espreitas para ver o que está do outro lado do muro, saltas o muro?
As minhas respostas (e a interpretação):
A minha floresta era cheia de árvores e arbustos, muito verde e densa, coberta de ramos por onde nem sequer passava a luz. A floresta significa a vida. Quanto mais densa ela for, mais complicada nós achamos que é a vida.
O pote cheio de moedas significa a relação com os amigos. Esta interpretação é altamente discutível! Tentar agarrar muitas moedas significa (segundo o teste) ter facilidade em fazer amigos e dar-lhes muita importância. Pessoalmente acho um disparate, mas assim como assim, a minha resposta não foi - por razões que desconheço - a resposta completamente lógica: “Levo o pote todo!”. Pelo contrário, levava apenas as moedas que pudesse carregar. Nada me disse que o pote era demasiado pesado para o levar todo comigo, nada me disse que o pote não podia ser levado. Isso fui eu que imaginei, é a minha projecção psicológica a funcionar. Logo...
A casa desabitada. Para mim, era um cabana abandonada onde ninguém morava há décadas. Cheia de pó e sujidade e teias de aranha, jamais me passaria pela cabeça entrar lá dentro. Não havia lá nada que me atraísse, mas mesmo nada. A casa é como vemos o casamento e a constituição de família. Escusado será dizer que nem pela janela eu espreitava...
O cavalo significa a nossa posição perante a sexualidade. Sem saber disso, eu disse logo que me aproximava, via se era manso e, sim, claro que tentava montá-lo. Aliás, montava-o mesmo. Havia de lhe dar a volta.
O lago. Antes de mais, tinha de desmontar do cavalo. (Isto mostra que para mim a sexualidade está intimamente ligada a uma continuidade, a um companheirismo. Depois de encontrado o cavalo, o meu inconsciente dizia-me que ele ia comigo - ou que eu o levava - pelo resto da jornada.) O lago era límpido, claro e sereno. Possivelmente, se estivesse calor, tirava a roupa (ou não) e ia tomar banho. Possivelmente queria levar comigo o cavalo para a água.
O lago não tem a ver com a sexualidade mas com os problemas que surgem na vida e a maneira com que se lida com eles. Isto significaria que eu mergulharia de cabeça dentro deles. Não tentava passar-lhes ao lado nem dar-lhes a volta, mas transformá-los-ia num desafio, até num prazer, em vez de um contratempo.
Será?... Então está mais que meio mundo enganado quanto a mim ou este teste não vale a ponta de um corno.
O muro alto. Esta é a minha parte preferida do teste. Nunca percebi por que razão havia de voltar para trás perante o muro. Nunca voltaria para trás. O que eu faria, sim, era pôr-me em bicos dos pés para espreitar o que havia do outro lado do muro. Se gostasse, saltava para o outro lado. Se não gostasse, em vez de voltar para trás, caminhava ao longo dele até ao sítio em que o muro acabasse. Na certeza de que todos os muros têm um fim.
O muro é a morte.
Publicado por _gotika_ em 08:06 AM | Comentários: (1)
